Presidente da Câmara articula candidatura de Nabor Wanderley na Paraíba, mas relação instável com o Planalto e concorrência de Veneziano acirram a disputa.
O cenário político para as eleições ao Senado na Paraíba ganhou novos capítulos nesta segunda-feira (19). Segundo análise publicada pelo jornal O Globo, o presidente da Câmara Federal, Hugo Motta (Republicanos-PB), terá que suar a camisa para viabilizar a candidatura de seu pai, o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), em meio a um campo minado de alianças e vetos em Brasília.
O equilíbrio entre Lula e o Centrão
Hugo Motta vive um dilema: ao mesmo tempo em que ajuda o governo Lula a aprovar projetos cruciais, como a nova taxação das bets, ele sofre pressão da oposição e do Centrão para enfrentar o Palácio do Planalto. O ponto de maior atrito no momento é o projeto de redução de penas para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro, vetado por Lula.
Essa “relação de idas e vindas” reflete diretamente na Paraíba, onde o apoio do presidente Lula é visto como um trunfo valioso devido à sua alta popularidade no estado.
A “Guerra das Fotos” e a sombra de Veneziano
Enquanto Nabor tenta colar sua imagem à de Lula, adversários se movimentam para ocupar esse espaço. O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que busca a reeleição e é concorrente direto de Nabor, fez questão de marcar presença no evento oficial do governo que celebrou a democracia, garantindo uma foto ao lado de Lula para reforçar sua sintonia com o petista.
O gesto foi visto como uma resposta estratégica, já que semanas antes, Nabor também havia garantido seu registro ao lado do presidente durante a posse do ministro Gustavo Feliciano.
O tabuleiro de João Azevêdo
Na Paraíba, o grupo é o mesmo, mas as cadeiras são poucas. Tanto o Republicanos de Motta quanto o PT de Lula estão na base do governador João Azevêdo (PSB). O próprio governador planeja disputar o Senado, deixando apenas uma vaga restante na chapa majoritária.
- De um lado: Aliados de Nabor dizem que ele é forte, tem o apoio da maioria dos prefeitos e já aparece bem nas pesquisas.
- Do outro: Adversários afirmam que a aliança com o PT não é “orgânica” e que Hugo Motta estaria usando o peso da presidência da Câmara para “empurrar” a candidatura do pai.
O que diz Nabor?
Em tom conciliador, o prefeito de Patos reafirmou em coletiva no último dia 12 que busca manter o diálogo aberto com o Governo Federal. Para ele, o foco é a viabilidade eleitoral e o trabalho prestado no Sertão e no estado.
A pergunta que fica nos bastidores da política paraibana é: haverá espaço para todos no palanque de João Azevêdo, ou alguém terá que sobrar na “dança das cadeiras” rumo ao Senado?
Cariri de Verdade Com O Globo










