O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), emergiu como figura central e controversa no tenso embate político em torno do PL Antifacção, cujo relatório, de autoria do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), é veementemente rejeitado pelo governo Lula e pela Polícia Federal (PF).
No que é descrito como um “jogo de cartas marcadas” ou uma manobra de alto risco, Motta inicialmente defendeu a escolha de Derrite como relator, apesar das críticas de que o texto desfigurava o projeto original do governo, enfraquecendo a PF e esvaziando fundos federais essenciais.
A Postura de Motta: Entre a Defesa e a Crise
Inicialmente, Motta deu “carta branca” a Derrite para a condução do projeto, reiterando o compromisso da Câmara com o combate ao crime organizado e a liberdade do relator para construir o texto. Contudo, a escalada das críticas, que classificaram o texto como um “retrocesso grave” e o apelidaram de “PL das Milícias”, forçou o presidente da Câmara a tentar conter a crise e o desgaste.
- Defesa da Escolha: Motta chegou a “bater na mesa” e elevar o tom de voz em embate com o líder do PT, Lindbergh Farias, defendendo a escolha de Derrite como “técnica, não política” e afirmando que a prerrogativa de indicar o relator é sua.
- Tentativa de Reorganização: Sob intensa pressão do Ministério da Justiça, do governo e da própria PF, Motta mudou o tom, garantindo que o PL não retiraria as prerrogativas da Polícia Federal, classificando isso como “inegociável”. Essa manobra sinaliza uma tentativa de costurar um acordo e de se distanciar da condução mais radical do relator, visando reverter a imagem de que a Câmara estaria legislando a favor de milícias.
O papel de Motta, portanto, é de pivô da articulação. Ele se encontra em um equilíbrio delicado: tentando manter sua autonomia e a de Derrite diante da oposição, enquanto é obrigado a negociar e sinalizar ajustes para evitar uma ruptura institucional maior com o governo Lula e os órgãos de segurança federais. A avaliação é que o episódio azedou o clima entre Motta e o governo, forçando-o a tentar “recuperar o controle de uma pauta” que fugiu à sua direção inicial.










