Sou de uma era em que as escolhas individuais eram respeitadas, mesmo quando não coincidiam com as nossas. Havia um entendimento básico, quase um pacto civilizatório, de que a divergência fazia parte da democracia. O que nos unia não era a concordância absoluta, mas a preservação de princípios éticos, legais e morais que valiam para todos, sem exceção. Esses princípios eram o limite e, ao mesmo tempo, a garantia da convivência.
Hoje, o que vejo é o avanço de uma lógica perigosa, quase sectária, que segrega com facilidade. Uma mentalidade xiita, talibã, que se espalha pelo Brasil classificando e quantificando pessoas, trajetórias profissionais e até a dignidade humana de forma burra, rasa e verticalizada. Tudo é reduzido a rótulos. Ou você pertence ao “lado certo”, ou passa a ser tratado como inimigo. Não há meio-termo, não há escuta, não há reflexão.
Esse comportamento está muito distante de qualquer prática democrática. Democracia pressupõe conflito de ideias, não eliminação do outro. Pressupõe debate, não linchamento moral. O que estamos vivendo é uma escalada de intolerância travestida de opinião, onde a violência simbólica vira regra e o autoritarismo passa a ser normalizado.
Exemplo recente disso foi a reação ao comercial das Sandálias Havaianas, que passou a ser alvo de ataques e boicotes por envolver a atriz Fernanda Torres, após críticas públicas feitas por Eduardo Bolsonaro. Uma peça publicitária virou motivo para perseguição ideológica, como se consumir, trabalhar ou se expressar artisticamente fosse crime político. É a lógica da exclusão aplicada até ao mercado, à cultura e à vida cotidiana.
Não se enganem: a história mostra que esse tipo de lógica não para no discurso. Quando a sociedade aceita a desumanização do outro, abre-se caminho para horrores maiores. Foi assim na Alemanha nazista, entre 1933 e 1945, quando um movimento político de extrema-direita, totalitário, transformou diferenças em ameaças e pessoas em números. Campos de concentração não surgem do nada; eles nascem da naturalização do ódio, da indiferença e da certeza absoluta de quem se acha moralmente superior.
Talvez tenha chegado a hora dessas figuras, que hoje se sentem confortáveis em julgar, apontar e excluir, colocarem a mão na consciência. Porque quando a democracia deixa de ser um valor e passa a ser um obstáculo, todos, sem exceção, correm perigo — inclusive aqueles que hoje aplaudem o autoritarismo achando que jamais serão atingidos por ele.
Sou de uma era em que as escolhas individuais eram mais bem respeitadas, mesmo quando não coincidiam com as minhas, estavam longe do nosso agrado. Havia um entendimento básico, quase um pacto civilizatório, de que a divergência fazia parte da democracia. O que nos unia não era a concordância absoluta, mas a preservação de princípios éticos, legais e morais que valiam para todos, sem exceção. Esses princípios eram o limite e, ao mesmo tempo, a garantia da convivência.
Hoje, o que vejo é o avanço de uma lógica perigosa, quase sectária. Uma mentalidade xiita, talibã, que se espalha pelo Brasil classificando e quantificando pessoas, trajetórias profissionais e até a dignidade humana de forma burra, rasa e verticalizada. Tudo é reduzido a rótulos. Ou você pertence ao “lado certo”, ou passa a ser tratado como inimigo. Não há meio-termo, não há escuta, não há reflexão.
Esse comportamento está muito distante de qualquer prática democrática. Democracia pressupõe conflito de ideias, não eliminação do outro. Pressupõe debate, não linchamento moral. O que estamos vivendo é uma escalada de intolerância travestida de opinião, onde a violência simbólica vira regra e o autoritarismo passa a ser normalizado.
Exemplo recente disso foi a reação ao comercial das Sandálias Havaianas, que passou a ser alvo de ataques e boicotes por envolver a atriz Fernanda Torres, após críticas públicas feitas por Eduardo Bolsonaro. Uma peça publicitária virou motivo para perseguição ideológica, como se consumir, trabalhar ou se expressar artisticamente fosse crime político. É a lógica da exclusão aplicada até ao mercado, à cultura e à vida cotidiana.
Não se enganem: a história mostra que esse tipo de lógica não para no discurso. Quando a sociedade aceita a desumanização do outro, abre-se caminho para horrores maiores. Foi assim na Alemanha nazista, entre 1933 e 1945, quando um movimento político de extrema-direita, totalitário, transformou diferenças em ameaças e pessoas em números. Campos de concentração não surgem do nada; eles nascem da naturalização do ódio, da indiferença e da certeza absoluta de quem se acha moralmente superior.
Talvez tenha chegado a hora dessas figuras, que hoje se sentem confortáveis em julgar, apontar e excluir, colocarem a mão na consciência. Porque quando a democracia deixa de ser um valor e passa a ser um obstáculo, todos, sem exceção, correm perigo — inclusive aqueles que hoje aplaudem o autoritarismo achando que jamais serão atingidos por ele.
Cariri de Verdade Por Josinaldo Ramos










