A recente decisão do Ministério Público da Paraíba (MPPB) de abrir inquérito para investigar o transporte escolar em sete cidades do Sertão expõe uma ferida aberta que não é exclusiva daquela região. No Cariri paraibano, a situação de precariedade no zelo pelo patrimônio público e na segurança dos estudantes é visível a olhos nus, mas segue sem a devida intervenção.
Ônibus de Grande serventia, Tratamento de Sucata
A maioria da frota que atende os municípios caririzeiros chegou por meio de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). São veículos robustos, equipados e caros, pagos com o suor do contribuinte. No entanto, a realidade após a entrega das chaves é desoladora.
Na maioria das cidades da região, o que se vê são “garagens” que não passam de terrenos baldios. Sem cobertura ou pavimentação, os ônibus ficam expostos:
- Ação do Tempo: O sol escaldante do Cariri e as chuvas ocasionais aceleram a deterioração da pintura, borrachas e componentes eletrônicos.
- Poeira e Sujeira: A falta de higienização e o armazenamento em locais inadequados dão um aspecto de abandono a veículos que deveriam ser símbolos de dignidade educacional.
- Dúvida Mecânica: Se não há zelo com a aparência externa e o abrigo do veículo, o que se pode esperar da manutenção preventiva de freios, suspensão e pneus?
O Dinheiro do Povo “ao Relento”
É contraditório que gestões municipais recebam equipamentos de alto custo e não invistam em infraestrutura básica de armazenamento. Um ônibus escolar que fica ao relento deprecia muito mais rápido do que um veículo bem guardado. Isso significa que, em poucos anos, o município terá que solicitar novos recursos ou gastar fortunas em reformas que poderiam ter sido evitadas com uma garagem simples, mas decente.
O Exemplo que vem do Sertão precisa atravessar até a Borborema
A iniciativa do promotor Thomaz Ilton Ferreira no Sertão, que exige vistorias obrigatórias, comprovação de habilitação dos motoristas e análise dos contratos de licitação, deve servir de modelo para os promotores que atuam nas comarcas do Cariri.
A população precisa de respostas sobre:
- Onde o dinheiro da manutenção está sendo aplicado?
- Por que veículos novos estão sendo destruídos pela falta de abrigo?
- Quem garante a segurança mecânica dos nossos filhos nas estradas vicinais?
Não se trata apenas de estética; trata-se de respeito ao dinheiro público e, acima de tudo, da preservação da vida de crianças e adolescentes que dependem desses amarelinhos todos os dias.
CARIRI DE VERDADE COM MAISPB










