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CAITITU NA DISPUTA : publicação em rede social de ex-prefeito expõe antiga disputa judicial entre Sumé e Serra Branca

A disputa territorial entre Sumé e Serra Branca voltou ao centro do debate político no Cariri paraibano, impulsionada por movimentações recentes lideradas pelo ex-prefeito de Sumé, Éden Duarte. O foco do conflito envolve as comunidades rurais de Caititu, área atualmente reconhecida como pertencente a Serra Branca, mas alvo de contestação judicial por parte do município vizinho.

As articulações vieram à tona após uma publicação feita por Éden Duarte, ao lado da líder comunitária Luiza Costa, em seu perfil no Instagram. Na publicação, o ex-gestor reforça a tese defendida por Sumé e sinaliza alinhamento com lideranças comunitárias da região. O gesto foi interpretado como um movimento estratégico para dar visibilidade pública à pauta e fortalecer o debate político em torno da questão.

Nos bastidores, a atuação de Éden Duarte é vista como contínua e bem estruturada. O ex-prefeito tem sustentado, junto a lideranças locais e comunitárias, que a redefinição territorial ocorrida no ano 2000, com base em levantamentos do IBGE e do extinto INTERPA, teria sido equivocada, resultando na transferência indevida dessas localidades para Serra Branca.

Essa linha de argumentação fundamenta as ações judiciais movidas por Sumé, que buscam a reintegração das áreas ao seu território. A possibilidade de uma declaração pública conjunta entre Éden Duarte e Luiza Costa, integrante do Conselho da Associação do Caititu, é apontada como mais um passo no avanço político da pauta, com potencial de ampliar ainda mais sua repercussão.

Pressão política e avanço estratégico

Analistas locais avaliam que as movimentações lideradas pelo ex-prefeito ultrapassam o campo jurídico. Há uma estratégia clara de fortalecimento político e social da narrativa defendida por Sumé, baseada na articulação com moradores, presença ativa nas comunidades e construção de legitimidade no discurso territorial.

Esse cenário contrasta com a postura observada em Serra Branca ao longo de décadas, onde lideranças políticas são alvo de críticas pela ausência de posicionamento mais firme. A falta de reação consistente diante das investidas jurídicas e políticas é apontada como um dos fatores que contribuíram para o avanço da pauta em favor de Sumé. Nesse contexto, interesses de cunho pessoal, segundo avaliações locais, têm se sobreposto ao interesse coletivo.

Histórico de perdas amplia questionamentos

O debate atual também resgata um histórico de decisões e oportunidades perdidas por Serra Branca. Ao longo dos anos, o município viu equipamentos e iniciativas estratégicas serem instalados na cidade vizinha, menos central para o Cariri que Serra Branca.

Entre os exemplos mais citados estão a perda do campus da UFCG, a instalação do Corpo de Bombeiros em outro município e até mesmo a saída da Unicir, instituição de ensino superior idealizada por um filho natural de Serra Branca, que optou por investir em Sumé diante de melhores incentivos oferecidos pela gestão local.

Para especialistas, esses episódios reforçam a percepção de fragilidade na articulação política e na capacidade de retenção de investimentos por parte de Serra Branca, mesmo com sua localização geográfica considerada estratégica e sua influência sobre diversos municípios da região.

Infraestrutura e influência territorial

A pavimentação da rodovia PB-222, ligando Sumé ao distrito de Sucuru, também entra no contexto. Embora oficialmente tratada como uma obra de integração regional, há avaliações de que intervenções desse tipo podem impactar dinâmicas territoriais, fortalecendo vínculos econômicos e administrativos em áreas sensíveis.

Nesse cenário, a obra é vista por setores de uma sociedade mais observadora dos fatos, como mais um elemento que pode contribuir para a consolidação da presença de Sumé nas comunidades em disputa.

Cenário em aberto

Com o avanço das ações judiciais, o fortalecimento das articulações políticas lideradas por Éden Duarte e a crescente mobilização de lideranças comunitárias como Luiza Costa, o conflito territorial tende a ganhar novos desdobramentos.

O caso permanece em aberto e deve continuar mobilizando não apenas as gestões municipais, mas também órgãos estaduais e a sociedade civil. Mais do que uma disputa por limites geográficos, o embate reflete interesses políticos, econômicos e estratégicos que podem influenciar diretamente o futuro do Cariri paraibano.

CARIRI DE VERDADE

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