O debate precisa ser feito — e com urgência. O Parque do Povo, principal vitrine turística do São João de Campina Grande, parece, ano após ano, se distanciar da sua verdadeira essência cultural.
É ali que o turista chega. É ali que o Brasil olha. E, principalmente, é ali que se constrói — ou se desconstrói — a identidade do Maior São João do Mundo.
O problema não está na diversidade musical. Nunca esteve. O erro está na falta de equilíbrio e, sobretudo, na ausência de estratégia na ocupação dos espaços.
Enquanto nomes fundamentais da tradição nordestina, como Alcymar Monteiro, Petrúcio Amorim, Flávio Leandro e Jorge de Altinho, ficam de fora da programação principal, o espaço vai sendo ocupado por atrações que pouco dialogam com a raiz cultural que deu origem à festa.
E não se trata de elitizar ou excluir estilos. Trata-se de compreender funções.
O Parque do Povo não é apenas um palco — é um símbolo. Um instrumento cultural. Um patrimônio imaterial que carrega a memória de um projeto idealizado por Ronaldo Cunha Lima, que pensou o São João como expressão máxima da cultura nordestina.
Hoje, no entanto, parece haver uma inversão de prioridades. Em nome de atender massas e tendências momentâneas, sacrifica-se a identidade. E isso tem um custo — cultural e turístico.
O turista que vem ao Nordeste, especialmente ao São João de Campina Grande, não busca apenas entretenimento. Ele quer vivenciar tradição. Quer ouvir sanfona, zabumba e triângulo. Quer sentir o que é genuinamente nordestino.
E é exatamente isso que está sendo diluído.
Por que não pensar de forma mais inteligente? Por que não criar uma arena específica para grandes shows de apelo nacional e popular, enquanto o Parque do Povo cumpre seu papel original como guardião da cultura junina?
Segmentar não é dividir — é qualificar.
Hoje, exemplos positivos já mostram esse caminho. A Vila Sítio São João, idealizada por Tupac Dantas, vem se consolidando como um verdadeiro espaço de valorização da cultura nordestina, preservando tradições que deveriam estar no coração do evento principal.
Fica a reflexão: até quando o principal palco do Maior São João do Mundo continuará abrindo mão da sua essência?
Porque, no fim das contas, é preciso entender o básico — angu e xerém vêm do mesmo milho, mas não são a mesma coisa.
E o público também não é.










