O Governo Federal reconheceu a situação de emergência por estiagem nos municípios de São José dos Cordeiros e Gurjão, reforçando a preocupação com os efeitos da falta de chuvas no Cariri paraibano. A medida foi oficializada por meio de portarias publicadas pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) nesta sexta-feira (29).
O reconhecimento federal ocorre a partir da avaliação técnica realizada pelos órgãos competentes do Governo Federal, que consideraram a existência de impactos provocados pela estiagem nas duas cidades caririzeiras. Segundo o entendimento adotado pelo Ministério, a situação afeta áreas como o abastecimento de água, a agricultura familiar, a pecuária e a rotina de comunidades rurais.
Com a homologação da situação de emergência, as prefeituras de São José dos Cordeiros e Gurjão passam a ter acesso a mecanismos que permitem solicitar apoio financeiro e assistência da União para minimizar eventuais prejuízos causados pela estiagem.
No entanto, o reconhecimento da situação de emergência também tem gerado questionamentos em parte da população da região. Isso porque, diferentemente de períodos mais severos de seca enfrentados em anos anteriores, o Cariri paraibano registrou índices pluviométricos considerados razoáveis nos últimos meses, com açudes, barreiros e reservatórios apresentando condições mais confortáveis de armazenamento.
Em Gurjão, por exemplo, o açude que leva o nome do município possui capacidade máxima de 3.683.875 metros cúbicos de água, segundo dados da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (AESA). Os levantamentos mais recentes do órgão apontam que o reservatório apresenta volume elevado após as chuvas registradas neste ano, cenário que contrasta com a imagem tradicional de colapso hídrico associada aos decretos de estiagem.
Diante desse contexto, a decretação da situação de emergência pode parecer contraditória para parte dos moradores. Especialistas e órgãos técnicos, entretanto, costumam considerar critérios que vão além do volume acumulado nos açudes, incluindo perdas na produção agrícola, impactos econômicos, distribuição irregular das chuvas ao longo do território e prejuízos registrados em determinadas comunidades rurais.
A situação reforça o debate sobre os critérios utilizados para os reconhecimentos federais de estiagem, especialmente em regiões onde os principais reservatórios apresentam recuperação significativa em comparação aos anos mais críticos da seca.
CARIRI DE VERDADE









