Os acidentes envolvendo motocicletas continuam entre os principais problemas de trânsito e de saúde pública na Paraíba. Os dados disponíveis de 2026 mostram a forte presença das motos nas ocorrências graves e nos atendimentos da rede pública, enquanto a falta ou o uso inadequado do capacete permanece entre os principais fatores de risco.
Nas rodovias federais que cortam a Paraíba, 891 sinistros envolvendo motocicletas foram registrados no primeiro semestre de 2026, deixando 67 mortos e mais de mil feridos, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
O número representa uma média de quase cinco sinistros envolvendo motocicletas por dia nas BRs paraibanas durante os seis primeiros meses do ano. A PRF mantém uma base oficial de acidentes de 2026, atualizada mensalmente, com registros por ocorrência e por pessoa.
Motos também pressionam os hospitais
O impacto aparece igualmente na rede pública de saúde.
No primeiro semestre de 2026, o Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande, registrou 5.475 atendimentos decorrentes de acidentes de motocicleta. O número foi muito superior aos 337 atendimentos provocados por acidentes de carro e aos 274 envolvendo bicicletas. As quedas, com 11.201 registros, ficaram à frente das motocicletas entre as ocorrências gerais atendidas pela unidade.
Em João Pessoa, o Hospital de Emergência e Trauma contabilizou 2.375 atendimentos relacionados a acidentes de moto somente entre janeiro e março de 2026, mantendo uma média próxima de 27 atendimentos por dia. Os dados foram levantados pelo Núcleo de Dados da Rede Paraíba.
Os números hospitalares mostram que, quando o recorte é feito entre acidentes envolvendo veículos, as motocicletas aparecem com ampla vantagem sobre carros e bicicletas nos atendimentos das unidades de referência.
O capacete continua sendo um problema
A fiscalização realizada em 2026 também mostra que a regra básica de proteção ainda é desrespeitada.
Durante o feriado de Corpus Christi, entre 4 e 7 de junho, a PRF autuou 71 pessoas por trafegarem sem capacete nas rodovias federais da Paraíba. No período, foram registrados 20 sinistros, 22 feridos e nenhuma morte.
A situação não se restringe a uma única operação. Em janeiro, a PRF flagrou adolescentes conduzindo motocicleta de maneira irregular em João Pessoa, sem os equipamentos obrigatórios e sem habilitação. Em março, também registrou motociclista trafegando sem capacete e realizando zigue-zagues na BR-230, em Campina Grande.
Em outra ocorrência, registrada em fevereiro, um motociclista foi abordado na BR-101, em João Pessoa, após ser flagrado sem capacete, sem habilitação e sob efeito de álcool.
Nas pequenas cidades, fiscalização é desafio
O problema ganha uma dimensão ainda maior fora dos grandes centros, onde a estrutura de fiscalização pode ser menor.
A ausência de fiscalização permanente, entretanto, não deve ser atribuída genericamente a todas as pequenas cidades, porque diferentes órgãos, entre eles Detran, Polícia Militar e PRF, dentro de suas respectivas competências, realizam operações em municípios do interior.
O que os registros de 2026 permitem afirmar é que a falta de capacete continua sendo encontrada nas abordagens, inclusive em diferentes regiões do estado. A própria PRF colocou o equipamento entre os principais temas de sua campanha educativa do Dia Nacional do Motociclista, realizada em julho.
Capacete pode salvar vidas
O capacete não impede o acidente, mas reduz significativamente a gravidade das consequências quando ocorre uma queda ou colisão.
Profissionais do Trauma de Campina Grande relatam que vítimas de acidentes de motocicleta frequentemente chegam à unidade com traumatismo cranioencefálico grave, além de fraturas e outros traumas. O uso incorreto ou o não afivelamento do equipamento também reduz sua capacidade de proteção.
A PRF, em sua campanha nacional de julho, destacou justamente o uso correto dos equipamentos de proteção, a direção defensiva e o cumprimento das regras de trânsito. No primeiro semestre de 2026, as motocicletas estiveram envolvidas em 45,38% dos sinistros atendidos pela PRF em todo o país.
Um alerta que não pode ser ignorado
Os números de 2026 mostram uma realidade que ultrapassa a estatística. São milhares de atendimentos hospitalares, centenas de pessoas feridas e dezenas de mortes registradas somente nas rodovias federais paraibanas no primeiro semestre.
Por isso, o alerta é direto: capacete não é acessório, é equipamento de proteção à vida.
CARIRI DE VERDADE








