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MUDANÇAS RADICAIS: prefeitos trocam de lado na reta final; urnas revelarão se o eleitor acompanha as alianças

Movimentações de lideranças municipais alteram o cenário político da disputa pelo Senado na Paraíba e levantam uma questão que só poderá ser respondida pela votação de 4 de outubro: os eleitores acompanharão as escolhas de seus prefeitos?

A reta final da disputa pelo Senado na Paraíba ganhou um novo componente político. Nos últimos dias, pelo menos dez prefeitos que anteriormente declaravam o primeiro voto para Veneziano Vital do Rêgo (MDB) passaram a indicar apoio a João Azevêdo (PSB) ou Nabor Wanderley (Republicanos), segundo levantamento divulgado pela imprensa paraibana.

As mudanças alcançam diferentes regiões do estado e incluem casos que chamam atenção pela proximidade temporal entre uma manifestação de apoio e outra. Em Piancó, por exemplo, o prefeito Julhinho, a ex-prefeita Flávia Galdino e o ex-prefeito Daniel Galdino, além de vereadores e outras lideranças, passaram a apoiar Nabor Wanderley. O movimento ocorreu pouco mais de um mês depois de integrantes do mesmo grupo terem participado da articulação de um encontro que reuniu prefeitos do Vale do Piancó em torno de Veneziano.

Em Fagundes, o prefeito Júnior Maranhão também passou a apoiar Nabor. Já em Alagoinha, o prefeito Alírio Pontes deixou de indicar Veneziano como uma de suas escolhas e declarou apoio a João Azevêdo, mantendo Nabor entre seus votos para o Senado. O levantamento citado relaciona ainda mudanças envolvendo Aliny Povão, Tacyana Leitão, Sílvia Cunha Lima, Michel Alexandre, Camaf Douglas e Ednailton Sabino.

O que está por trás das mudanças?

É justamente nesse ponto que a movimentação política abre uma pergunta que ainda não tem resposta.

O que leva uma liderança política a modificar, em um intervalo relativamente curto, uma posição que anteriormente havia anunciado publicamente?

As próprias mudanças de apoio são fatos políticos documentados. Já as razões individuais de cada prefeito ou liderança precisam ser atribuídas às declarações dos próprios envolvidos, quando apresentadas publicamente. Não é possível concluir, apenas pela troca de palanque, qual foi a motivação de cada decisão.

É justamente por isso que a sucessão de anúncios também provoca questionamentos entre eleitores e observadores da política paraibana. Há quem interprete as mudanças como movimentos naturais de uma eleição que se aproxima da definição; outros questionam qual será o efeito concreto dessas decisões quando o eleitor estiver diante da urna.

E é aí que começa a diferença entre o palanque e o voto.

O eleitor seguirá o prefeito?

Uma declaração de apoio de um prefeito tem peso político e demonstra uma posição pública da liderança municipal. Mas isso não significa, automaticamente, que todos os eleitores daquele município acompanharão a mesma escolha.

Essa diferença será especialmente relevante na eleição para o Senado. Em 4 de outubro, cada eleitor poderá escolher dois candidatos ao Senado, além de deputado federal, deputado estadual, governador e presidente.

Assim, o comportamento das bases eleitorais poderá produzir resultados diferentes daqueles sugeridos pelos movimentos dos grupos políticos durante a campanha.

Um prefeito pode mudar seu voto. Um grupo político pode mudar de palanque. Vereadores podem anunciar novas alianças. Mas quem efetivamente deposita o voto na urna é o eleitor.

Pesquisas, palanques e a realidade das urnas

As pesquisas eleitorais procuram medir a intenção de voto em determinado momento e dentro de uma metodologia específica. As articulações políticas, por outro lado, mostram o movimento público das lideranças.

São, portanto, fenômenos diferentes.

A questão que permanece aberta é saber como esses dois elementos chegarão ao dia da votação.

As recentes mudanças de apoio podem ter repercussão eleitoral? Podem. Mas qual será a dimensão dessa repercussão? Isso somente poderá ser observado a partir dos votos efetivamente registrados nas urnas.

O resultado da eleição não será definido pelo número de prefeitos que mudaram de posição, mas pela soma dos votos dados pelos eleitores.

A resposta virá em 4 de outubro

O calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral estabelece 4 de outubro de 2026, domingo, como a data do primeiro turno. A votação ocorrerá das 8h às 17h, no horário de Brasília. Após o encerramento, a Justiça Eleitoral inicia a emissão dos boletins de urna e o processo de apuração e totalização dos resultados.

Será nesse momento que o discurso político das últimas semanas encontrará a realidade matemática das urnas.

Até lá, permanecem as articulações, as mudanças de apoio, os anúncios de adesões e as pesquisas divulgadas durante a campanha.

Mas uma pergunta continuará no ar: os eleitores acompanharão as mudanças feitas por seus prefeitos ou tomarão uma decisão diferente daquela indicada pelos palanques municipais?

A resposta não estará em uma declaração, em uma adesão ou em uma fotografia de campanha.

Estará na urna.

CARIRI DE VERDADE

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