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CASO MASTER: PF indicia Daniel Vorcaro, ex-presidente do BRB e outras 13 pessoas no caso Master

A Polícia Federal (PF) indiciou, nesta quarta-feira (28), o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas por suspeitas de envolvimento em fraudes financeiras. O relatório faz parte do principal inquérito da Operação Compliance Zero, que investiga operações entre as duas instituições bancárias.

O documento, com mais de 700 páginas, foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a investigação, as operações envolveram aproximadamente R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito transferidas do Master para o BRB. Desse total, R$ 12,2 bilhões corresponderiam a créditos cuja existência ou regularidade não teria sido comprovada. A PF estima que as perdas já formalizadas para o banco público sejam de cerca de R$ 2,7 bilhões.

De acordo com os investigadores, Vorcaro ocupava posição central nas operações e coordenava atividades relacionadas à formação, aquisição e transferência das carteiras de crédito. Paulo Henrique Costa também é apontado no relatório como integrante do núcleo estratégico investigado. Os indiciamentos envolvem suspeitas de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro, conforme a participação atribuída a cada investigado.

A lista inclui ex-sócios e ex-dirigentes do Banco Master, dois sócios da consultoria Tirreno e sete ex-gestores do BRB. Entre os nomes estão Augusto Lima, ex-sócio do Master; Ângelo Antônio Ribeiro da Silva e Luiz Antônio Bull, ex-diretores da instituição; além de antigos integrantes da direção do banco público.

No mesmo relatório, a PF solicitou ao STF mais 60 dias para aprofundar as investigações, concluir perícias e apresentar informações complementares. O pedido será analisado pelo ministro André Mendonça, relator do caso. O material também deverá subsidiar a avaliação do Ministério Público sobre a possibilidade de apresentar denúncia.

O que dizem as defesas

A defesa de Daniel Vorcaro contestou o indiciamento e afirmou que a investigação ainda possui perícias pendentes. Os advogados alegam que as carteiras questionadas foram substituídas por outros ativos e sustentam que não houve prejuízo comprovado ao BRB. Também pediram o arquivamento do inquérito e a revogação da prisão preventiva do ex-banqueiro.

Já a defesa de Paulo Henrique Costa afirmou ter recebido o indiciamento com surpresa. Segundo os advogados, ele não tinha conhecimento das supostas fraudes e teria identificado irregularidades, exigindo garantias e substituição de ativos. A defesa também sustenta que as decisões foram tomadas seguindo os procedimentos de governança do banco.

A defesa de Augusto Lima, por sua vez, negou qualquer participação nas fraudes investigadas e atribuiu a conclusão policial a uma interpretação equivocada de mensagens. Os advogados ressaltaram que o indiciamento não equivale a uma denúncia formal nem a uma condenação judicial.

O caso segue em investigação, e as acusações ainda precisam passar pelas etapas previstas no sistema de Justiça.

CARIRI DE VERDADE

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