Se você costuma encher o carrinho do supermercado com alimentos prontos, embutidos e industrializados, atenção: a ciência acaba de acender um sinal vermelho. Novos estudos realizados na França, com mais de 170 mil pessoas, reforçam o que pesquisadores brasileiros já diziam: o consumo frequente de certos conservantes pode estar diretamente ligado ao desenvolvimento de câncer e diabetes tipo 2.
A pesquisa, parte do renomado projeto NutriNet-Santé, acompanhou voluntários por 14 anos e analisou o impacto de 58 tipos de aditivos comuns em nossa dieta.
Os “vilões” na mira da ciência
Embora muitos desses conservantes sejam aprovados por órgãos reguladores, o estudo mostrou que o uso contínuo pode ser perigoso. Confira os principais achados:
- Nitrito de Sódio: Presente em bacon, presunto e salsicha. Foi associado a um aumento de 32% no risco de câncer de próstata.
- Nitrato de Potássio: Ligado a um maior risco de câncer de mama e tumores em geral.
- Sorbato de Potássio: Muito usado em queijos, pães de forma, vinhos e molhos prontos. Também apresentou relação com o câncer de mama.
- Diabetes tipo 2: No caso desta doença, os dados são ainda mais assustadores. Pessoas que consomem altos níveis de determinados conservantes apresentaram um risco até 49% maior de se tornarem diabéticas.
Por que o Brasil deve se preocupar?
O Brasil é um dos campeões mundiais no consumo de alimentos ultraprocessados. Instituições como a USP, Unicamp e Fiocruz já alertam há anos que o excesso desses produtos está por trás da explosão de casos de obesidade e doenças cardiovasculares no país.
O INCA (Instituto Nacional de Câncer) é enfático: carnes processadas e alimentos ricos em aditivos químicos devem ser evitados, e não apenas consumidos “com moderação”.
O segredo é “comida de verdade”
A epidemiologista Mathilde Touvier, que coordenou o estudo, explica que o problema é tirar o nutriente de sua forma natural. Quando consumimos substâncias isoladas dentro de um produto químico (ultraprocessado), o corpo reage de forma diferente do que quando comemos uma fruta ou vegetal fresco.
Dicas práticas para se proteger:
- Leia o rótulo: Se a lista de ingredientes for enorme e cheia de nomes estranhos, evite.
- Descasque mais, desballe menos: Priorize alimentos in natura (frutas, verduras, grãos).
- Reduza os embutidos: Deixe o bacon, o salame e a salsicha para ocasiões muito raras.
- Cozinhe em casa: Assim, você controla exatamente o que vai no seu tempero.
Como diz o ditado popular e reforçam os médicos: a prevenção começa no prato. Escolher “comida de verdade” hoje é a melhor garantia de saúde para o futuro.
Cariri de Verdade










