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POLÍCIA CIVIL: Movimento da ASPOL expõe crise na Polícia Civil da Paraíba e pressiona Governo por valorização salarial

A crise enfrentada pela Polícia Civil da Paraíba ganhou novos contornos nos últimos dias com a confirmação de que o movimento conhecido como “extra zero” é capitaneado pela ASPOL (Associação dos Policiais Civis de Carreira da Paraíba). A entidade assumiu a articulação da mobilização que orienta investigadores e escrivães a não aderirem a jornadas extras e desvio de funções, expondo, segundo a categoria, a fragilidade estrutural do sistema.

A medida tem provocado o fechamento de delegacias em diversas cidades e a reorganização do atendimento por meio de polos regionais de plantão, que operam com equipes reduzidas para atender múltiplos municípios.

Movimento organizado pela categoria

De acordo com a ASPOL, o “extra zero” não configura greve, mas sim a decisão dos servidores de cumprir estritamente a carga horária regular prevista em lei. A associação sustenta que o funcionamento pleno de várias unidades dependia historicamente de jornadas excedentes assumidas pelos próprios policiais como forma de complementar renda.

A entidade afirma que a Paraíba ocupa posições inferiores no ranking nacional de remuneração da carreira investigativa e cobra isonomia e uma política salarial estruturada. Para a associação, o pagamento de “extras” transformou-se em mecanismo permanente para mascarar o déficit de efetivo e a ausência de valorização profissional.

Impactos diretos no atendimento

Na prática, a suspensão das jornadas adicionais tem gerado:

  • Redução no número de plantões;
  • Atendimento mais lento à população;
  • Acúmulo de investigações;
  • Diminuição no cumprimento de mandados.

No Cariri paraibano, o impacto já começa a ser sentido de forma mais evidente. Com a diminuição do efetivo para atendimento noturno e em feriados, ocorrências registradas em diversas cidades da região estão sendo direcionadas para a delegacia de plantão em Monteiro.

Isso significa que, em horários noturnos, finais de semana e feriados, moradores e demais forças de segurança que atuam nos municípios do Cariri precisam se deslocar até Monteiro para registrar boletins de ocorrência ou acompanhar procedimentos policiais. A centralização do atendimento ocorre justamente por conta da redução de equipes disponíveis nas demais unidades.

A mobilização coordenada pela ASPOL evidencia a preocupação da categoria com as condições estruturais de trabalho, enquanto especialistas alertam que a redução da capacidade investigativa pode afetar diretamente os índices criminais e ampliar a sensação de insegurança.

Discurso oficial x realidade nas delegacias

Enquanto a ASPOL reforça a legitimidade do movimento, o delegado-geral da Polícia Civil mantém publicamente o discurso de normalidade institucional. Internamente, porém, policiais relatam sobrecarga e risco de esvaziamento das atividades investigativas.

A divergência entre a narrativa oficial e a realidade descrita por servidores tem ampliado o debate público sobre a condução da crise.

Governo ainda não apresentou proposta

Até o momento, o Governo do Estado não anunciou proposta concreta de recomposição salarial nem a abertura formal de mesa de negociação com a categoria. O silêncio institucional ocorre em meio ao aumento da pressão e à visibilidade do movimento liderado pela ASPOL.

Para a associação, o “extra zero” não criou o problema, apenas revelou uma estrutura que, segundo a entidade, já operava no limite há anos.

Cariri de Verdade Com Ascom Aspol

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