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Crise no Ministério da Cultura Expõe Décadas de Falhas na Fiscalização de Recursos Públicos

Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou um problema histórico no Ministério da Cultura (MinC): o acúmulo de 29,7 mil projetos culturais com prestações de contas pendentes ou sem análise conclusiva. O montante envolvido chega a cerca de R$ 22 bilhões em recursos públicos sem fiscalização efetiva.

De acordo com os auditores, a situação não é recente. As falhas na análise das prestações de contas se acumulam desde meados dos anos 2000, período de forte expansão dos incentivos culturais, especialmente da Lei Rouanet. Apesar de alertas sucessivos, o problema atravessou diferentes governos sem solução definitiva.

O TCU classificou o cenário como “desgovernança generalizada”, apontando fragilidades nos mecanismos internos de controle e descumprimento de prazos legais. Um dos pontos mais críticos é o uso de planilhas manuais em Excel para controlar prazos de análise, método considerado inadequado diante do volume e da complexidade dos processos.

Os valores sem análise envolvem projetos financiados pela Lei Rouanet, Lei Aldir Blanc, Lei Paulo Gustavo, além de convênios e transferências diretas. Segundo o tribunal, a ausência de fiscalização impede a comprovação da correta aplicação do dinheiro público e, em alguns casos, os prazos para cobrança de irregularidades já podem ter prescrito.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, reconheceu a gravidade do problema e afirmou que a pasta trabalha para reduzir o passivo herdado de gestões anteriores. No entanto, o TCU destaca que, apesar das promessas, os resultados ainda são insuficientes, e o volume de processos pendentes continua elevado.

Com a pressão do TCU e da Controladoria-Geral da União (CGU), cresce a expectativa de que o ministério seja obrigado a adotar reformas estruturais para evitar que bilhões de reais continuem sem controle adequado.

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