O que começou como divergência administrativa sobre horário de expediente virou caso de polícia; entre acusações de agressão, boletim de ocorrência e escolta policial, o clima político na cidade atinge temperatura máxima.
Segunda-Feira(02): O Estopim e o registro na delegacia
A tensão política em Taperoá subiu drasticamente no Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) no final da tarde de segunda-feira (02). O vereador e cirurgião-dentista Dr. Ailton Paulo de Souza, de 60 anos, realizava atendimentos quando foi interrompido pela secretária de Saúde, Clarisse Guimarães, acompanhada de um oficial de Justiça.
- A Ordem: A gestão municipal determinou o encerramento do expediente às 17h, alegando decisão administrativa.
- A Resistência: Dr. Ailton, servidor efetivo há 16 anos, sustenta que sua jornada contratual é das 12h às 20h e que possui pacientes agendados para o turno da noite.
- O Conflito: No auge da discussão, o prefeito George Farias compareceu ao local. O desfecho foi um Boletim de Ocorrência registrado na Central de Flagrantes de Juazeirinho, no qual o vereador acusa o grupo de ofensas verbais e agressões físicas (empurrões).
Terça-Feira (03): O Outro Lado: Prefeito nega violência
Na manhã desta terça-feira (03), o prefeito George Farias utilizou suas redes sociais para rebater as acusações. O gestor confirmou o embate, mas apresentou uma versão divergente dos fatos narrados pelo parlamentar.
“Não houve qualquer tipo de agressão física. O episódio se resumiu a um desentendimento verbal em meio a uma discussão administrativa. Estou tranquilo e tudo será devidamente esclarecido”, afirmou o prefeito. A gestão defende que a ação visa apenas o cumprimento das normas da unidade e o controle rigoroso do ponto eletrônico.
Noite desta terça(03): Novo capítulo com presença policial
Quando parecia que os ânimos começavam a se acalmar, um novo confronto foi registrado no início da noite desta terça-feira (03). A procuradora do município, Bianca Montenegro, dirigiu-se ao CEO acompanhada de policiais. Houve um forte bate-boca envolvendo a própria procuradora, Wilma Santos, uma advogada do município, e o vereador e cirurgião-dentista Ailton Paulo de Souza. Diante da situação, o chefe da guarnição policial chegou a mencionar a possibilidade de condução dos envolvidos até a delegacia de Juazeirinho.
Munida de uma suposta decisão judicial, a procuradora tentou novamente encerrar as atividades da unidade no momento em que o vereador ainda atendia pacientes. O episódio chamou a atenção de populares e evidencia o clima de forte tensão política que o município vem enfrentando.
Onde tá o nó do moído: Carga horária ou perseguição política?
O cerne da questão reside em um impasse jurídico-administrativo que afeta diretamente o servidor:
- O Vereador: Teme a continuidade de cortes em seu salário. Ele afirma que já sofreu perdas financeiras em fevereiro e argumenta que, se encerrar o atendimento às 17h, poderá ser punido por descumprimento de sua jornada legal de 16 anos.
- A Prefeitura: Argumenta a necessidade de seguir a carga horária estrita exigida por lei e o fechamento da unidade de saúde no horário administrativo padrão estabelecido pela Secretaria de Saúde.
Próximos Passos
O caso agora transcende a disputa política e entra na esfera judicial. Com um Boletim de Ocorrência em aberto e alegações de descumprimento de jornada de ambos os lados, a população de Taperoá aguarda o desfecho de um imbróglio que coloca em xeque a continuidade de um serviço essencial de saúde bucal no município.
Cariri de Verdade










