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ECONOMIA: Endividamento das famílias acende alerta e exige mais controle sobre o uso do crédito

O endividamento continua em patamar elevado no Brasil. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, 81,6% das famílias tinham algum tipo de dívida em junho de 2026, acima dos 78,4% registrados no mesmo mês de 2025. A inadimplência também subiu, passando de 29,5% para 29,9% no período.

O problema não está necessariamente em utilizar crédito. Cartão, financiamento e compras parceladas podem fazer parte da organização financeira. O risco aparece quando os compromissos ultrapassam a capacidade de pagamento e começam a comprometer a renda.

Cartão de crédito exige atenção

O cartão aparece como uma das principais portas de entrada para a inadimplência. Levantamento da CNDL/SPC Brasil aponta que ele responde por 42% das pendências, seguido por empréstimos bancários ou financeiros, com 26%, crediários, com 23%, e cheque especial, com 16%.

O excesso de compras parceladas também pesa no orçamento. Em dezembro de 2025, cerca de 60,1 milhões de consumidores nas capitais tinham compras parceladas, com média de quatro prestações em aberto.

Reincidência mostra dificuldade para sair das dívidas

Os dados do SPC Brasil mostram que o problema muitas vezes não termina com uma renegociação. Em junho de 2026, 85,32% dos consumidores que entraram no cadastro de inadimplentes eram reincidentes. Entre eles, 66,01% ainda não haviam quitado pendências anteriores.

Nos 12 meses encerrados em junho, o número de devedores reincidentes cresceu 14,99%, indicando que parte dos consumidores permanece em um ciclo de dívidas.

Outro levantamento mostra que 81% dos inadimplentes utilizaram algum novo crédito no último ano para pagar uma dívida anterior. A prática pode aumentar o problema ao acrescentar novos juros e compromissos ao orçamento.

Impacto vai além das finanças

A inadimplência também pode afetar a qualidade de vida. Pesquisa CNDL/SPC Brasil aponta que 86% dos consumidores com contas atrasadas há mais de três meses relataram impactos físicos relacionados ao estresse financeiro. Alterações no sono foram citadas por 64% e no apetite por 52%.

Já a Serasa registrou, em junho, mais de 234 mil novos CPFs no cadastro de negativados. O país chegou a 345,5 milhões de dívidas em aberto, somando mais de R$ 579,5 bilhões, enquanto 50,9% da população adulta estava negativada.

Apesar do cenário, também existem sinais positivos: o SPC Brasil registrou 74,8 milhões de consumidores inadimplentes em junho, uma pequena redução após meses de recordes, além de crescimento de 3,78% no número de consumidores que deixaram os cadastros de inadimplentes nos 12 meses anteriores.

Como evitar ou sair das dívidas

O primeiro passo é conhecer o próprio orçamento. Antes de assumir uma nova parcela, é preciso considerar todas as despesas e compromissos já existentes.

Entre os principais cuidados estão:

  • evitar parcelamentos desnecessários;
  • não tratar o cartão como extensão da renda;
  • acompanhar o total das parcelas;
  • evitar pagar apenas o mínimo da fatura;
  • comparar juros antes de contratar crédito;
  • manter uma reserva para imprevistos;
  • e evitar um novo empréstimo apenas para pagar uma dívida antiga.

Para quem já está endividado, é importante listar todas as dívidas, verificar juros e valores pendentes e procurar os credores para negociar. Parcela menor não significa necessariamente dívida mais barata: é preciso observar o prazo, os juros e o valor total do acordo.

O principal alerta é simples: crédito pode ser uma ferramenta útil, mas perde sua função quando passa a sustentar um orçamento que já não consegue pagar as próprias contas.

Planejamento, controle dos gastos e conhecimento sobre juros são fundamentais para evitar que uma dívida pontual se transforme em um ciclo de inadimplência.

CARIRI DE VERDADE

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