O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece como favorito para vencer a eleição presidencial de 2026, segundo avaliação do jornal britânico Financial Times. A análise foi publicada na véspera do Ano Novo, dentro de uma lista com 20 apostas políticas para o próximo ano.
De acordo com o jornal, “salvo se ocorrer um problema de saúde de última hora, Luiz Inácio Lula da Silva é o favorito para vencer a eleição de outubro, mesmo aos 80 anos”. A publicação destaca que o presidente deve se beneficiar de uma economia considerada robusta e também da postura firme diante das investidas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que teria fortalecido sua imagem política.
O Financial Times cita que, ao longo de 2025, o governo Lula enfrentou momentos de tensão com Trump, incluindo negociações sobre tarifas aplicadas a produtos brasileiros, pressões externas relacionadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e até a sanção do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, pela Lei Magnitsky, usada pelos EUA contra indivíduos acusados de violar direitos humanos.
Mesmo assim, o jornal avalia que Lula conseguiu transformar o embate em trunfo político. “[Com] um formidável cabo eleitoral, o esquerdista se beneficiará de uma economia robusta e de ter resistido às investidas de Trump”, afirma a análise.
A previsão do jornal britânico vai ao encontro da mais recente pesquisa Genial/Quaest, que apontou Lula vencendo, tanto no primeiro quanto no segundo turno, possíveis adversários como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e os governadores Ratinho Junior (PSD-PR) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
Já a revista The Economist adotou um tom diferente. Em editorial publicado na terça-feira (30), a publicação afirmou que Lula não deveria concorrer à reeleição em 2026, alegando que seria um risco para o Brasil manter “alguém tão idoso” por mais quatro anos no cargo máximo do país.
A declaração provocou reação no governo. A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, rebateu a revista nas redes sociais. Segundo ela, o verdadeiro incômodo da The Economist não é a idade de Lula, mas suas políticas voltadas para o social. “A revista do sistema financeiro global prefere que o Brasil volte a ser submetido aos mandamentos do mercado, abandonando as políticas públicas voltadas para o povo”, escreveu.
No campo econômico, os dados mostram um cenário misto. A taxa de desemprego caiu para 5,2% no trimestre encerrado em novembro de 2025, o menor nível desde 2012, segundo a Pnad Contínua do IBGE. Por outro lado, o país abriu 85,9 mil vagas formais em novembro, uma queda de 19% em relação ao mesmo mês do ano anterior, conforme o Caged, o pior resultado para novembro desde 2020.
Para o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o desempenho mais fraco na geração de empregos reflete o impacto dos juros elevados, atualmente em 15% ao ano. Ainda assim, no acumulado de 2025, o Brasil criou cerca de 1,9 milhão de empregos formais.
Se confirmar a vitória em 2026, Lula entrará para a história ao assumir o quarto mandato como presidente da República, o terceiro de forma não consecutiva. Ele governou o país entre 2003 e 2010, voltou ao Palácio do Planalto em 2023 e, agora, desponta como favorito para seguir no comando do Brasil por mais quatro anos.
Cariri de Verdade com CNN










