Veneziano Vital do Rêgo escreveu mais um capítulo de uma trajetória política marcada por disputas apertadas, adversários de peso e vitórias construídas na base do voto. Aos 55 anos, o senador do MDB conseguiu se reeleger para mais oito anos no Senado Federal, superando na disputa pela segunda vaga uma das estruturas políticas mais robustas montadas na Paraíba para a eleição de 2026.
O resultado deste domingo (4) recoloca Veneziano no Senado até 2035 e encerra uma disputa que, nas últimas semanas, ganhou contornos de confronto direto entre dois grupos políticos. De um lado, a candidatura de Nabor Wanderley, ex-prefeito de Patos e pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, apoiada por uma ampla articulação municipalista. Do outro, Veneziano, que chegou à reta final defendendo sua experiência parlamentar e contando com o apoio declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com a totalização, Veneziano ficou em segundo lugar, atrás de João Azevêdo, e à frente de Nabor. A diferença para o candidato do Republicanos foi de cerca de 79 mil votos na apuração utilizada como referência.
UMA CAMPANHA CONTRA UMA ESTRUTURA DE PESO
A eleição para o Senado foi uma das disputas mais observadas da Paraíba. Nabor entrou na corrida respaldado por uma estrutura política de grande alcance, que envolveu o filho, Hugo Motta, presidente da Câmara, e uma extensa rede de apoios municipais.
Reportagens publicadas durante a campanha apontaram que cerca de 180 prefeitos apoiavam Nabor, evidenciando o tamanho da articulação construída em torno de sua candidatura.
Na reta final, a disputa chegou a ser tratada como uma corrida bastante apertada. Pesquisa TDL divulgada na véspera da eleição chegou a apontar uma virada de Nabor sobre Veneziano no cenário estimulado para as duas vagas.
Veneziano, entretanto, resistiu.
E é justamente nesse ponto que o resultado de 2026 se conecta com a história política do senador.
O POLÍTICO QUE APRENDEU A VENCER DISPUTAS DIFÍCEIS
Antes de chegar ao Senado, Veneziano construiu sua carreira política em Campina Grande.
Foi eleito vereador em 1996, reelegendo-se em 2000. Em 2004, protagonizou uma das eleições mais emblemáticas da história política da Rainha da Borborema.
Naquele ano, enfrentou Rômulo Gouveia, candidato apoiado pelo grupo político dos Cunha Lima. No primeiro turno, Rômulo terminou na frente. No segundo, porém, Veneziano virou o jogo e venceu por uma diferença de apenas 791 votos: 101.900 contra 101.109.
A vitória teve dimensão histórica porque rompeu a hegemonia política do grupo Cunha Lima em Campina Grande, que dominava as eleições municipais havia mais de duas décadas.
Foi uma vitória apertada, contra uma estrutura política consolidada e em uma cidade onde o grupo adversário possuía forte presença eleitoral.
Quatro anos depois, Veneziano e Rômulo voltaram a se enfrentar. Desta vez, o então prefeito conseguiu a reeleição com uma vantagem maior, de 6.879 votos.
DA RAINHA DA BORBOREMA AO SENADO
A trajetória seguiu com a eleição de Veneziano para a Câmara dos Deputados e, posteriormente, para o Senado.
Ele chegou ao Senado em 2019 e agora garante um novo mandato de oito anos. Segundo a Câmara dos Deputados, sua trajetória institucional inclui dois mandatos como vereador de Campina Grande e dois como prefeito da cidade, antes da passagem pelo Congresso Nacional.
A reeleição de 2026 também tem um significado histórico: Veneziano entra para o grupo de senadores paraibanos que conseguiram renovar o mandato consecutivamente, algo que não acontecia desde Humberto Lucena, reeleito em 1994.
A VITÓRIA QUE VAI ALÉM DOS NÚMEROS
O resultado não significa que Veneziano tenha vencido sozinho ou sem alianças. O apoio de Lula foi um componente importante de sua campanha e apareceu de forma explícita na reta final.
Mas a eleição também mostrou que uma grande estrutura política e municipal não garante, por si só, a vitória nas urnas.
Nabor tinha o peso de uma extensa rede de prefeitos e o apoio de um dos políticos mais influentes do Congresso Nacional. Veneziano, por sua vez, carregava a experiência de quem já havia enfrentado disputas eleitorais extremamente difíceis, inclusive uma eleição histórica em Campina Grande decidida por apenas 791 votos.
Em 2026, a história se repetiu em outro cenário.
Não foram 791 votos.
Foram dezenas de milhares de votos separando Veneziano da candidatura que chegou à reta final com uma estrutura política de enorme dimensão.
E talvez seja justamente essa a marca que melhor resume a trajetória eleitoral de Veneziano Vital do Rêgo: um político que construiu sua carreira vencendo disputas nas quais o tamanho da estrutura não era suficiente para determinar o resultado.
Em Campina Grande, venceu quando muitos acreditavam na continuidade de uma hegemonia.
Em 2026, no Senado, garantiu novamente seu lugar diante de uma candidatura respaldada por uma ampla articulação política estadual.
Veneziano continua no Senado. E a Paraíba terá, a partir de 2027, novamente um senador que conhece, como poucos, o peso de uma eleição difícil e a importância de cada voto.
CARIRI DE VERDADE









