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FREI GILSON: Sem considerar os feminicídios, religioso orienta submissão feminina e não responsabilizando o “comando” violento de homens

A senadora Soraya Thronicke protagonizou um novo capítulo de debate entre política, religião e costumes ao criticar duramente o Frei Gilson após a circulação de um vídeo em que o religioso comenta papéis de homens e mulheres nas relações familiares. Em publicação feita na rede X, a parlamentar classificou o frei como “falso profeta” e o acusou de misoginia.

A reação ocorreu depois da repercussão de um trecho de sermão no qual Frei Gilson associa o empoderamento feminino ao que chamou de “ideologia dos tempos atuais” e defende a liderança masculina no ambiente familiar com base em interpretações bíblicas. No vídeo, ele afirma que “Deus deu ao homem a liderança” e sustenta que a mulher “nasceu para auxiliar o homem”, ao citar passagem do livro de Gênesis.

Ao compartilhar as imagens, Soraya rebateu o conteúdo utilizando referências religiosas e afirmou que líderes espirituais e figuras públicas estariam usando o nome de Deus de forma indevida. Em nova manifestação, a senadora relembrou sua formação católica e declarou que o frei “não a representa”, cobrando ainda providências da Igreja Católica diante do episódio.

A postagem gerou forte repercussão digital, acumulando milhares de comentários e centenas de milhares de visualizações em poucas horas, ampliando a polarização entre apoiadores e críticos do religioso.

Conhecido nacionalmente por transmissões de oração durante a madrugada e por grande alcance nas plataformas digitais, Frei Gilson reúne milhões de seguidores nas redes sociais e se consolidou como um dos nomes religiosos mais populares do país. Apesar da expressiva audiência, o sacerdote também tem sido alvo recorrente de controvérsias por declarações públicas relacionadas a temas sociais e comportamentais.

As declarações, no entanto, reacendem um debate necessário sobre a responsabilidade de lideranças religiosas em tempos marcados pelo avanço da violência contra a mulher, realidade comprovada por estatísticas alarmantes em todo o país. Para críticos, em vez de reforçar discursos de submissão feminina e hierarquia masculina, figuras públicas com tamanha influência deveriam utilizar seus espaços para incentivar valores como respeito, parceria, proteção e amor mútuo dentro da família. Em uma sociedade ainda marcada por feminicídios, agressões e desigualdade de gênero, falas que relativizam o protagonismo feminino ou naturalizam relações de poder são vistas como inadequadas e desconectadas da urgência social do tema.

Até o momento, Frei Gilson não havia se pronunciado oficialmente sobre as críticas feitas pela senadora.

CARIRI DE VERDADE

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