Em sua primeira aparição pública desde o início dos ataques contra o Irã, nesta segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a operação militar pode se estender além do prazo inicialmente planejado. Recebido em um salão da Casa Branca com oração e banda militar, ele declarou que a ofensiva pode durar “de quatro a cinco semanas”, mas destacou que o país tem capacidade para prolongar a ação “muito além disso”.
Horas antes, o Pentágono anunciou o reforço de batalhões norte-americanos na região e alertou que os objetivos militares não serão alcançados “da noite para o dia”. Em seu discurso, Trump voltou a justificar a ofensiva com base no avanço do programa de mísseis balísticos do Irã, classificando-o como uma “ameaça clara e colossal” aos Estados Unidos e às forças americanas no exterior.
O presidente afirmou que, após o suposto desmantelamento do programa nuclear iraniano em junho, Washington teria alertado Teerã a não retomar atividades em outras localidades. Segundo ele, o governo iraniano ignorou o aviso e continuou a desenvolver tanto tecnologia nuclear quanto mísseis balísticos, que poderiam atingir a Europa e, futuramente, os próprios EUA. “Isso seria uma ameaça intolerável”, declarou.
No entanto, as afirmações contrastam com relatório da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, que aponta que o Irã não teria capacidade de desenvolver mísseis capazes de alcançar o território norte-americano antes de aproximadamente uma década. Uma avaliação de 2025 indica que Teerã poderia obter um míssil balístico intercontinental “militarmente viável” até 2035, caso decidisse investir nesse projeto.
O documento também reconhece que o Irã possui o maior arsenal de mísseis balísticos do Oriente Médio, embora com alcance estimado de cerca de 2 mil quilômetros, suficiente para atingir Israel, mas não os Estados Unidos.
Objetivos da ofensiva
Durante o pronunciamento, Trump listou os principais objetivos da ação militar:
- Destruir as capacidades de mísseis do Irã
- Aniquilar a Marinha iraniana
- Impedir que o país obtenha armas nucleares
- Cortar o financiamento de grupos armados regionais
Pela primeira vez, porém, o presidente não mencionou explicitamente a derrubada do regime iraniano como meta direta da operação. Já o secretário de Defesa, Pete Hegseth, declarou que a população do Irã deveria assumir o papel de promover mudanças internas, mas ponderou que o conflito “não é uma guerra para mudança de regime”, embora tenha afirmado que “o regime certamente mudou”.
As declarações refletem possíveis ajustes estratégicos no discurso oficial da Casa Branca à medida que a operação avança e aumenta a tensão no Oriente Médio.










