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NORDESTINO PREDESTINADO: Lula, o menino pobre que se tornou a maior estrela da história política brasileira

De origem humilde, líder sindical durante a ditadura militar e fundador do PT, Luiz Inácio Lula da Silva construiu uma das trajetórias mais marcantes da política brasileira, entre conquistas sociais, derrotas eleitorais, controvérsias e disputas judiciais.

Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no interior de Pernambuco. Sétimo dos oito filhos dos lavradores Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, conhecida como Dona Lindu, teve uma infância marcada pelas dificuldades financeiras e pela migração em busca de melhores condições de vida.

Em dezembro de 1952, aos sete anos, viajou com a mãe e os irmãos para São Paulo, em um caminhão pau de arara. A família se instalou inicialmente no Guarujá, onde reencontrou o pai, que havia constituído outra família. Posteriormente, Dona Lindu se separou de Aristides e, em 1956, mudou-se com os filhos para a capital paulista, onde passaram a viver em um pequeno cômodo nos fundos de um bar.

Ainda criança, Lula trabalhou como vendedor ambulante, engraxate e office boy. Aos 14 anos, ingressou na indústria e conseguiu emprego na Fábrica de Parafusos Marte. Aos 18, concluiu o curso de torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Antes disso, aos 17 anos, perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho.

Vida pessoal e perdas familiares

A vida pessoal de Lula também foi marcada por perdas. Em 1969, casou-se com a operária Maria de Lourdes da Silva, que morreu grávida em 1971.

Em 1974, casou-se com Marisa Letícia, com quem viveu por mais de quatro décadas. O casal teve três filhos: Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Cláudio. Lula também adotou Marcos Cláudio, filho de Marisa de um relacionamento anterior, e é pai de Lurian, fruto de seu relacionamento com Miriam Cordeiro.

Marisa acompanhou a trajetória de Lula desde o movimento sindical até a Presidência da República. Ela morreu em fevereiro de 2017, aos 66 anos, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Em maio de 2022, Lula se casou com a socióloga Rosângela da Silva, conhecida como Janja, durante a campanha que o levaria de volta à Presidência.

Do sindicalismo à fundação do PT

A trajetória política de Lula começou a ganhar projeção durante sua atuação na indústria metalúrgica do ABC paulista. Trabalhando na Indústria Villares, em São Bernardo do Campo, ele ingressou no movimento sindical por influência do irmão José, conhecido como Frei Chico.

Lula ocupou diferentes funções no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, chegando à presidência da entidade. Sua liderança nas greves de metalúrgicos no final dos anos 1970 o transformou em uma figura nacionalmente conhecida durante a ditadura militar (1964-1985).

Em 1980, foi preso por 31 dias com base na antiga Lei de Segurança Nacional, em razão de sua atuação sindical. No mesmo ano, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), ao lado de sindicalistas, intelectuais, políticos e lideranças de movimentos sociais e religiosos. Marisa Letícia costurou a primeira bandeira da legenda.

Lula também teve participação importante na criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983, e integrou, no ano seguinte, a mobilização das Diretas Já, movimento que levou multidões às ruas em defesa de eleições diretas para presidente.

Sua entrada na política eleitoral ocorreu em 1982, quando disputou o governo de São Paulo e terminou em quarto lugar. Em 1986, foi eleito deputado federal e participou da Assembleia Nacional Constituinte responsável pela elaboração da Constituição de 1988.

Três derrotas antes da chegada à Presidência

Lula disputou a Presidência pela primeira vez em 1989, na primeira eleição direta para o cargo desde 1960. Chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Fernando Collor de Mello, do PRN, que renunciou em 1992 durante o processo de impeachment motivado por denúncias de corrupção.

O petista voltou a concorrer em 1994 e 1998, mas perdeu nas duas ocasiões para Fernando Henrique Cardoso (PSDB), impulsionado pelo apoio ao Plano Real e ao controle da inflação.

A quarta tentativa foi vitoriosa. Em 2002, Lula derrotou José Serra (PSDB) no segundo turno, com aproximadamente 52,7 milhões de votos, e assumiu a Presidência em 1º de janeiro de 2003, tornando-se o primeiro operário a ocupar o cargo.

Primeiro e segundo mandatos: programas sociais e crescimento econômico

No primeiro governo, Lula estabeleceu o combate à pobreza e à desigualdade entre as prioridades. Seu governo lançou o Fome Zero, ampliou a transferência de renda por meio do Bolsa Família e criou o ProUni, voltado à ampliação do acesso ao ensino superior.

Reeleito em 2006, após vencer Geraldo Alckmin, então no PSDB, Lula lançou iniciativas de habitação popular, como o Minha Casa, Minha Vida, e ampliou os investimentos em infraestrutura por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Seu governo ganhou projeção internacional em meio ao crescimento econômico e à expansão das políticas sociais. O então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou a chamá-lo de “o cara”. Ao encerrar o segundo mandato, em 2010, Lula registrava índices elevados de aprovação e teve papel importante na eleição de sua sucessora, Dilma Rousseff (PT).

Mensalão, Lava Jato e prisão

Os governos petistas também foram marcados por escândalos de corrupção. Em 2005, o caso conhecido como mensalão veio a público após denúncias do então deputado Roberto Jefferson sobre pagamentos a parlamentares em troca de apoio político no Congresso. O episódio levou à abertura de investigações e à saída de José Dirceu da Casa Civil.

Naquele ano, Lula afirmou publicamente ter se sentido traído e reconheceu que o partido e o governo haviam cometido erros.

Em 2014, teve início a Operação Lava Jato, que investigou esquemas de corrupção e desvios de recursos envolvendo contratos da Petrobras, empreiteiras, operadores financeiros e políticos de diferentes partidos. A operação resultou em condenações, prisões e acordos de colaboração, além de provocar profundas consequências políticas, em um período que também culminou no impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.

Em 2017, Lula foi condenado pelo então juiz Sergio Moro no processo do tríplex do Guarujá, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A condenação foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região em 2018. O petista negou os crimes e afirmou ser alvo de perseguição política.

Preso em 7 de abril de 2018, Lula permaneceu 580 dias na sede da Polícia Federal em Curitiba. Naquele ano, teve sua candidatura presidencial barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa.

Ele deixou a prisão em novembro de 2019, após o Supremo Tribunal Federal decidir que a execução da pena deveria ocorrer somente depois do trânsito em julgado. Em 2021, o ministro Edson Fachin anulou as condenações relacionadas à Lava Jato por questões de competência judicial, devolvendo a Lula os direitos políticos. Posteriormente, o STF reconheceu a parcialidade de Sergio Moro no caso do tríplex.

O retorno ao Planalto em 2023

Em 2022, Lula voltou à disputa presidencial e derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno, com cerca de 60,3 milhões de votos, assumindo seu terceiro mandato em janeiro de 2023.

O novo governo recriou ministérios extintos na gestão anterior, como o da Cultura, e ampliou a estrutura administrativa federal, incluindo pastas dedicadas à Igualdade Racial e aos Povos Indígenas.

Na área econômica e social, o governo retomou e ampliou programas de transferência de renda e habitação, aprovou a reforma tributária e promoveu mudanças na faixa de isenção do Imposto de Renda. O Brasil também voltou a sair do Mapa da Fome, segundo os indicadores internacionais citados no material de referência.

CARIRI DE VERDADE

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