A ausência do deputado federal Hugo Motta em determinado evento político não foi um simples detalhe de agenda. Para quem acompanha os bastidores de Brasília, o gesto carrega um significado claro e bem calculado.
Como uma das principais lideranças da Câmara dos Deputados, Motta evitou se colocar em uma situação que pudesse soar contraditória com uma decisão recente do próprio Parlamento: a aprovação da PEC da dosimetria. A proposta teve amplo apoio na Câmara, mas enfrenta resistência direta do presidente Lula, que já deixou claro ser contrário ao texto.
Participar de um evento fortemente ligado ao campo progressista e ao entorno do Palácio do Planalto, nesse momento, poderia gerar interpretações equivocadas. Não seria apenas uma presença simbólica, mas um sinal político que poderia entrar em choque com a posição institucional assumida pela Câmara. Atento às liturgias do cargo e experiente na articulação política, Hugo Motta optou pela prudência.
Além disso, o deputado adota uma estratégia conhecida no Congresso: manter diálogo aberto com diferentes campos políticos. Embora transite pelo centro e converse com o governo, Motta sabe que sua força política também depende da capacidade de interlocução com setores da direita e do bolsonarismo, ainda influentes no Parlamento. Um gesto mal interpretado poderia gerar ruídos desnecessários.
Dessa forma, a ausência não deve ser vista como omissão ou afastamento do debate nacional. Pelo contrário: trata-se de uma decisão política calculada, que revela equilíbrio, maturidade e preocupação em preservar capital político, características essenciais para quem deseja seguir exercendo protagonismo nos rumos da Câmara dos Deputados.
Cariri de Verdade










