A política de Serra Branca volta a viver dias de alta temperatura e bastidores agitados. O prefeito Alexandre Pereira, ao lado do empresário Ernildo Júnior, confirmou a adesão do grupo local à pré-candidatura de Cícero Lucena, em uma reviravolta que surpreendeu muita gente.
A mudança ocorreu logo após a visita do senador Efraim Filho ao município, durante as comemorações dos 67 anos de emancipação política. Até então, o ambiente indicava um casamento de forte sintonia entre o parlamentar e o grupo governista serrabranquense. A presença de Padre Fabrício, somada ao clima festivo e simbólico da agenda, fez muita gente tratar o enlace político como praticamente sacramentado.
Mas, na política, nem sempre o altar vira casamento. Capitaneado pelo “noivo” Alexandre e pelo “padrinho” Ernildo, o novo relacionamento com Cícero, que chegou “no outro dia”, foi apresentado sob justificativa de investimentos ao município e da leitura de um cenário eleitoral favorável. Segundo o prefeito, mais de R$ 10 milhões foram assegurados para áreas como saúde, infraestrutura e equipamentos públicos. Nos bastidores, porém, também se recorda que Efraim manteve presença administrativa junto ao município por meio de emendas parlamentares. Foi, como dizem alguns, um parceiro presente na vida da “noiva”.
O episódio deixa a impressão de que talvez tenha faltado combinar melhor com o relógio da política a intensidade do amor e o tempo certo para sacramentar o casório. Existe tempo para ensaiar, tempo para anunciar e tempo para consolidar alianças. Quando etapas se atropelam, surgem ruídos, desconfortos e interpretações que poderiam ser evitadas com um pouco mais de calma, planejamento e costura estratégica.
A aproximação pública com Efraim durante meses, seguida da rápida guinada em direção a Cícero, transformou o enredo local em verdadeiro “pinga-fogo” político. Aliados tentam explicar, adversários exploram, e o eleitor observa. Mais do que a troca de apoio, chamou atenção a velocidade da mudança.
Apesar da nova posição, Alexandre buscou manter pontes ao reafirmar amizade com a família Morais e declarar apoio a George Morais, irmão de Efraim. O gesto mostra que, no tabuleiro político, portas fechadas hoje podem precisar ser reabertas amanhã.
No cenário local, Serra Branca volta ao centro das articulações do Cariri paraibano. E como toda novela política que se preze, novos capítulos já são aguardados: ainda cabem Nabor Wanderley, Veneziano Vital do Rêgo e até João Azevêdo na disputa pela “rainha” que dará o aval para o “castelo”, ou melhor, para o Senado.
Por enquanto, uma certeza permanece: a caça à “noiva” mais cobiçada da eleição segue aberta, e ninguém quer chegar atrasado ao altar. Enquanto isso, a fé de Cícero, conhecido por suas frequentes visitas ao Santuário de Fátima, pode seguir ajudando no roteiro dessa novela política.
Josinaldo Ramos








