O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), saiu das eleições de 2026 reeleito para mais um mandato, mas o resultado das urnas impôs um revés político ao parlamentar paraibano. Além de registrar uma queda expressiva na própria votação, Motta viu o pai, Nabor Wanderley, ex-prefeito de Patos, ser derrotado na disputa por uma das duas vagas da Paraíba no Senado.
Hugo recebeu 124.339 votos e terminou na quinta colocação entre os deputados federais eleitos pela Paraíba. Em 2022, havia sido o deputado federal mais votado do estado, com 158.171 votos. A diferença chega a 33.832 votos, uma redução de aproximadamente 21,4% na votação individual.
O resultado de Nabor também representou um duro golpe para o grupo político comandado por Hugo. Candidato ao Senado pelo Republicanos, o ex-prefeito de Patos terminou em 3º lugar, com 895.398 votos (20,91%), atrás de João Azevêdo e Veneziano Vital do Rêgo, que conquistaram as duas vagas em disputa.
REJEIÇÃO JÁ ERA UM SINAL DE ALERTA
O desempenho nas urnas ganha ainda mais significado quando colocado ao lado das pesquisas realizadas durante a campanha.
Em setembro, levantamento da AtlasIntel apontou Hugo Motta como o político com maior rejeição entre os nomes avaliados na Paraíba. Segundo a pesquisa, 63,5% dos entrevistados disseram que não votariam nele de jeito nenhum. O índice superava os registrados para Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Renan Santos e Romeu Zema.
O levantamento também mostrou dificuldades para Nabor. O então candidato ao Senado aparecia com 45,2% de rejeição, enquanto seus principais adversários na disputa apresentavam índices menores.
Na pesquisa Quaest divulgada no fim de setembro, Nabor havia chegado a 30% de rejeição, oito pontos acima da rodada anterior, enquanto aparecia com 12% das intenções de voto. Veneziano registrava 37%, João Azevêdo 25% e Marcelo Queiroga 27%.
UM NOVO CENÁRIO PARA HUGO MOTTA
Hugo Motta continuará tendo um dos cargos mais importantes da política brasileira, mas o resultado eleitoral modifica o cenário político com o qual ele chegará à nova legislatura.
O presidente da Câmara conseguiu a reeleição, porém perdeu a condição de deputado federal mais votado da Paraíba e viu seu grupo sofrer uma derrota na disputa majoritária mais importante do estado.
A situação ganha peso porque Motta vinha utilizando sua posição nacional e sua capacidade de articulação em Brasília para fortalecer sua presença política na Paraíba. Durante a campanha, também atuou diretamente na construção da candidatura do pai ao Senado. Reportagens apontaram que o parlamentar mobilizou sua estrutura política e sua relação com prefeitos para ampliar a votação de Nabor.
Agora, o resultado das urnas coloca uma questão política no horizonte: como Hugo Motta chegará à disputa pelo comando da Câmara em 2027 depois de uma eleição em que perdeu votação individual e seu principal projeto eleitoral na Paraíba, a eleição do pai para o Senado, não se concretizou?
O próprio cenário nacional também mudou. Análise publicada pelo Poder360 nesta segunda-feira aponta que Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, terão de reconstruir pontes em um Congresso que ficou mais à direita após as eleições de 2026. No caso de Motta, a publicação destaca justamente a combinação entre a derrota familiar e a queda expressiva em sua votação.
Assim, embora não se possa falar em derrota eleitoral de Hugo Motta, já que ele foi reeleito, o resultado de 2026 representa um revés político importante para o presidente da Câmara e seu grupo na Paraíba.
Ele retorna à Câmara Federal com o mandato assegurado, mas com uma votação menor, uma colocação mais baixa entre os eleitos do estado e tendo de administrar a derrota do próprio pai em uma disputa para o Senado que contou com forte mobilização de sua estrutura política.
CARIRI DE VERDADE









