Com a chegada do período mais seco do ano, moradores da zona rural e até da área urbana do Cariri paraibano devem redobrar a atenção com a presença de cobras. Entre o fim de julho e o mês de agosto, é comum o aumento no número de avistamentos desses animais, fenômeno que faz parte do ciclo natural das espécies e exige prevenção, informação e respeito à natureza.
As cobras são animais ectotérmicos, ou seja, dependem da temperatura do ambiente para regular o calor do corpo. Com a estiagem no semiárido, tornam-se mais ativas nos horários de temperatura favorável, buscando locais ensolarados para manter o metabolismo.
O período também coincide com a reprodução de muitas espécies. Entre o outono e o inverno, os machos percorrem distâncias maiores em busca das fêmeas, aumentando as chances de encontros com pessoas. Entre julho e setembro, o nascimento de filhotes também contribui para o crescimento no número de registros.
Na Caatinga, bioma predominante no Cariri, a vegetação perde boa parte da folhagem durante a seca, deixando o solo mais exposto e reduzindo os abrigos naturais. Ao mesmo tempo, ratos, pequenos mamíferos, lagartos e anfíbios se concentram próximos a açudes, cacimbas, currais, galinheiros e residências rurais em busca de água e alimento. As cobras acompanham esse deslocamento, aproximando-se das áreas ocupadas pelo homem.
A maior movimentação de trabalhadores no campo durante esse período também favorece os encontros com serpentes, principalmente durante a limpeza de terrenos, retirada de lenha, manutenção de cercas e outras atividades rurais.
O Cariri paraibano abriga diversas espécies, entre elas a cascavel, a jararaca-da-caatinga e a cobra-coral-verdadeira, que são peçonhentas, além de várias espécies não peçonhentas, igualmente importantes para o equilíbrio ambiental.
Cuidados simples evitam acidentes
A principal recomendação é manter quintais, terrenos e arredores das residências sempre limpos, evitando o acúmulo de entulho, madeira, pedras, telhas e materiais que possam servir de abrigo para cobras. Também é importante controlar a presença de ratos, uma das principais fontes de alimento desses animais.
Quem trabalha na zona rural deve utilizar botas de cano alto, perneiras e luvas ao entrar em áreas de mata, capim ou roçados. Também é fundamental observar onde pisa e onde coloca as mãos ao recolher lenha, pedras ou outros materiais que possam esconder serpentes. À noite, o uso de lanternas é indispensável.
Não mate as cobras
Apesar do receio que provocam, as cobras são fundamentais para o equilíbrio ecológico da Caatinga. Elas controlam naturalmente populações de ratos, camundongos, lagartos e outros pequenos animais. Sem esse controle, essas espécies podem se multiplicar rapidamente, causando prejuízos à agricultura e aumentando o risco de transmissão de doenças.
As cobras também integram a cadeia alimentar, servindo de alimento para aves de rapina, mamíferos e outros predadores. Sua eliminação provoca desequilíbrios ecológicos que afetam toda a biodiversidade do semiárido.
Ao encontrar uma serpente, a orientação é manter distância, afastar crianças e animais domésticos e acionar o Corpo de Bombeiros ou os órgãos ambientais, quando necessário. Além de representar risco para quem tenta fazê-lo, matar esses animais pode configurar crime ambiental contra a fauna silvestre.
Em caso de picada
Se ocorrer um acidente, a vítima deve procurar atendimento médico imediatamente. Não se deve fazer torniquetes, cortes, sucção do veneno ou utilizar receitas caseiras. Também não é recomendado aplicar substâncias sobre o ferimento ou tentar capturar o animal.
O tratamento adequado é realizado em unidade de saúde e, quando indicado, com a aplicação do soro antiofídico.
O aumento da presença de cobras nesta época do ano é consequência da combinação entre reprodução, nascimento de filhotes, busca por alimento e características da estiagem na Caatinga. A melhor forma de evitar acidentes é investir em prevenção, informação e respeito à fauna.
O Portal Cariri de Verdade reforça que preservar a fauna também é proteger a vida. Conhecer o comportamento das serpentes e compreender sua importância para o equilíbrio ambiental é a forma mais segura de reduzir acidentes e conviver de maneira harmoniosa com a biodiversidade do Cariri paraibano.
CARIRI DE VERDADE ESPECIAL








