As previsões que apontam um possível cenário de seca severa no Semiárido nordestino nos próximos meses e ao longo de 2027, atribuídas ao possível retorno do fenômeno El Niño, têm gerado preocupação entre produtores rurais e a população. No entanto, o consultor meteorológico do agronegócio Rodrigo Cézar Limeira faz um contraponto e afirma que ainda não há bases científicas suficientes para sustentar esse tipo de previsão.
Segundo o especialista, é um equívoco associar, de forma antecipada, um eventual episódio de El Niño a um ano necessariamente seco no setor norte do Nordeste. Para ele, esse tipo de conclusão simplifica um sistema climático complexo e pode provocar interpretações equivocadas sobre o comportamento das chuvas na região.
Rodrigo explica que, embora o El Niño e a La Niña influenciem o clima em diversas partes do planeta, eles não determinam, isoladamente, se o Semiárido nordestino terá uma estação chuvosa acima ou abaixo da média. Outros fatores atmosféricos e oceânicos exercem papel decisivo, principalmente na definição das precipitações.
Entre esses fatores, o consultor destaca a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), considerada o principal sistema responsável pelas chuvas no norte do Nordeste durante o período chuvoso. A posição e a intensidade da ZCIT, além das temperaturas das águas do Oceano Atlântico, são elementos que precisam ser analisados em conjunto antes de qualquer projeção climática para a região.
Especialista em meteorologia aplicada ao agronegócio, o patoense Rodrigo Cézar Limeira desenvolve estudos voltados ao planejamento agrícola e à previsão de safras para produtores da Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e outros estados nordestinos. Sua atuação também inclui consultorias em eficiência energética, utilizando dados climáticos para subsidiar estratégias de produção e consumo de energia.
Além do trabalho técnico, Rodrigo também atua na divulgação científica por meio do portal Ciência em Foco, onde explica, em linguagem acessível, fenômenos como El Niño, La Niña e a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Suas análises são frequentemente utilizadas por veículos de comunicação e produtores rurais da região.
Para o consultor, ainda é cedo para afirmar que 2027 será um ano de seca no Nordeste. Ele defende que previsões climáticas de longo prazo devem considerar um conjunto de fatores atmosféricos e oceânicos, evitando atribuir ao El Niño, isoladamente, a responsabilidade pelo comportamento das chuvas na região.
CARIRI DE VERDADE









