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“O SÃO JOÃO PODE SER UM BARATO”: cidades mostram que é possível fazer grandes eventos culturais sem gastar tanto

Enquanto algumas cidades apostam em estruturas grandiosas e cachês milionários para atrair público durante o período junino, municípios do Cariri paraibano vêm demonstrando que é possível realizar festas de qualidade, com forte participação popular, valorização da cultura nordestina e, principalmente, sem gerar elevados custos sociais e financeiros.

Exemplos recentes podem ser vistos em cidades como Gurjão, Coxixola, Boa Vista e Santo André. Cada uma à sua maneira, apostou em uma fórmula que prioriza a tradição, os artistas regionais, a convivência familiar e a ocupação saudável dos espaços públicos.

Em Gurjão, o São João da Gente levou as festividades para comunidades rurais e para a sede do município, fortalecendo o sentimento de pertencimento e aproximando a festa das pessoas. Em Boa Vista, a valorização de artistas paraibanos e da cultura regional transformou a Praça Bom Jesus em um verdadeiro palco das tradições nordestinas. Já Coxixola apostou em uma programação simples, organizada e acolhedora, reunindo famílias em um ambiente seguro e harmonioso. Em Santo André, além dos grandes momentos de forró, a programação incorporou elementos de fé, cultura e convivência comunitária.

O resultado tem sido semelhante em todas elas: bom público, clima familiar, participação popular, fortalecimento do comércio local e, principalmente, baixos índices de ocorrências policiais e de problemas relacionados à violência. Em outras palavras, festas com custo social próximo de zero.

A experiência dessas cidades levanta uma reflexão importante. O sucesso de um evento não pode ser medido apenas pelo valor do cachê de uma atração ou pela quantidade de recursos investidos. Uma festa popular também precisa ser avaliada pela capacidade de preservar a cultura local, movimentar a economia, gerar bem-estar para a população e garantir segurança para quem participa.

O São João nasceu da tradição nordestina, do encontro entre famílias, do forró, da quadrilha, da culinária típica e da valorização das raízes culturais. Quando essa essência é preservada, o resultado costuma ser uma festa mais autêntica, mais acessível e mais conectada com a identidade do povo.

As experiências vividas neste ano em diversas cidades do Cariri mostram que não existe apenas um modelo de sucesso para os festejos juninos. E talvez a maior lição deixada por esses municípios seja justamente esta: é possível fazer uma grande festa sem gastar fortunas, sem promover excessos e sem perder aquilo que faz do São João uma das maiores expressões culturais do Nordeste brasileiro.

CARIRI DE VERDADE

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