Por: Josinaldo Ramos
Há momentos em que ficar calado não é covardia. É estratégia. E talvez seja exatamente disso que Lucas Veloso esteja precisando neste momento: silêncio, advogado e Justiça.
O caso envolvendo o ator e humorista paraibano, filho do saudoso Shaolin, ganhou enorme repercussão pública e pode trazer consequências muito maiores do que aquelas que já estão sendo discutidas nos tribunais. Lucas é um artista conhecido nacionalmente, tem uma carreira construída ao longo de muitos anos e uma imagem profissional que, para ele, tem um valor enorme.
Por isso, quando uma questão familiar chega à Justiça e envolve uma criança, principalmente quando o processo corre em segredo de Justiça, todo cuidado é pouco. Transformar um problema dessa natureza em assunto de rede social pode ser um caminho perigoso.
Lucas tem todo o direito de se defender, apresentar provas, ser ouvido e mostrar sua versão dos fatos. Mas existe um lugar certo para fazer isso: a Justiça. Se ele diz ter documentos, conversas, vídeos ou até os seis pendrives que mencionou, que entregue tudo aos seus advogados e deixe que eles apresentem o material ao Judiciário.
Instagram não é tribunal. E rede social não absolve ninguém.
Muito pelo contrário. Uma frase publicada em poucos segundos pode causar um estrago que anos de carreira talvez não consigam consertar. E esse é um dos maiores riscos para Lucas Veloso.
Mesmo que, no futuro, a Justiça lhe dê razão, a exposição de um problema familiar dessa dimensão pode deixar marcas na sua imagem. Estamos falando de um artista nacional, de um humorista talentoso e de alguém que carrega também o nome e a história de Shaolin, um dos grandes nomes do humor brasileiro. Preservar essa imagem deveria ser uma prioridade.
Não adianta ser famoso. Nesses casos, a fama pode até dificultar, justamente pelo tamanho da exposição. Não adianta o ego ferido. Nessas horas, o que realmente importa é procurar sair da melhor maneira possível de uma situação que pode se transformar em uma grande, e muito visível confusão.
Na internet, a acusação corre muito mais rápido do que a Justiça. E existe um problema ainda maior: muita gente condena primeiro e só depois procura saber o que realmente aconteceu.
Por isso, é preciso lembrar uma coisa muito simples: não existe Justiça para homem ou Justiça para mulher. Existe Justiça.
O Brasil tem, sim, leis específicas para proteger as mulheres contra a violência. Elas são necessárias diante da triste realidade de tantos casos de agressão, abuso e violência contra elas. Mas a lei também garante direitos aos homens e às mulheres. Todos têm direito à defesa, ao contraditório e à presunção de inocência. No fim das contas, é a prova que deve falar mais alto.
E aqui entra um velho ensinamento popular que cabe muito bem nessa história: “Só pega no pote quem pega na rodilha.”
Quem conhece a vida sertaneja sabe o que isso significa. Para carregar um pote na cabeça, primeiro é preciso preparar a rodilha, colocar tudo no lugar e encontrar o equilíbrio. Com a Justiça, não é muito diferente. É preciso esperar o momento certo.
Não adianta querer resolver tudo de uma vez, tentar ganhar a causa na internet ou transformar rede social em tribunal. Se existem argumentos, provas e elementos capazes de ajudar na defesa, que sejam apresentados no lugar certo: nos autos.
É preciso ter paciência, confiar no trabalho dos advogados e apresentar as provas. E, acima de tudo, se a pessoa se considera inocente, guardar esse sentimento consigo e deixar que a Justiça faça o seu trabalho.
Porque quem acredita que tem razão não precisa necessariamente falar mais alto. Precisa provar.
Talvez a maior demonstração de confiança na própria defesa seja saber a hora de falar, mas, principalmente, saber a hora de calar.
Depois que uma história chega à praça pública e a internet começa a julgar, não existe garantia de que uma imagem arranhada será recuperada rapidamente. Às vezes, o silêncio de hoje é justamente o que pode ajudar a preservar a imagem de amanhã.
O que está por trás dessa querela?
Mas afinal, o que está por trás dessa querela envolvendo Lucas Veloso e sua ex-companheira, Géssica Muniz?
O que se sabe, até aqui, é que a disputa envolve questões familiares e uma criança e está sendo tratada pela Justiça sob segredo de Justiça. A defesa de Géssica afirma que Lucas teria descumprido uma medida protetiva ao continuar fazendo menções à ex-companheira nas redes sociais. A partir daí, foram solicitadas novas medidas judiciais, entre elas a suspensão do Instagram do artista e das visitas à filha.
Do outro lado, Lucas afirma que sua versão dos fatos não estaria sendo devidamente ouvida. O humorista diz possuir documentos e outros materiais que, segundo ele, poderão ajudar a esclarecer sua posição perante a Justiça. Seus advogados também sustentam que já apresentaram ao Judiciário os elementos necessários à defesa e questionam a exposição pública do caso.
É justamente aí que mora o cuidado.
Nenhuma das versões pode ser tomada como verdade definitiva enquanto o processo estiver sendo analisado pela Justiça. Há acusações de um lado, argumentos de defesa do outro e, entre eles, aquilo que realmente importa: as provas.
E é por isso que este Pinga Fogo não pretende fazer julgamento de ninguém. Nem de Lucas, nem de Géssica.
O que se está discutindo aqui é outra coisa: a exposição pública de uma disputa que já está sob o olhar da Justiça.
E, nesse terreno, talvez o silêncio seja mesmo o melhor advogado.
CARIRI DE VERDADE









