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PINGA-FOGO🔥: Quanto tempo mais será preciso para que a era Vogel faça Assunção avançar de verdade?

Por Josinaldo Ramos

Há cidades que enfrentam um problema permanente: a falta de continuidade administrativa e uma grande bagunça política. É o caso da vizinha Taperoá, mas esse será tema para outro Pinga-Fogo, porque o de hoje já vem quente demais!

Em Assunção, a realidade é diferente. Há muitos anos, um mesmo grupo mantém influência decisiva sobre os destinos do município. Luiz Waldvogel de Oliveira Santos, o Vogel, se tornou a principal referência política desse grupo, exerceu mandatos como prefeito e preservou influência na sucessão municipal.

E justamente por causa dessa longa continuidade surge uma pergunta inevitável:

Depois de tanto tempo de influência política e administrativa, o que mudou estruturalmente em Assunção?

Não é uma mera e descabida crítica. Não é negar obras ou avanços. É uma pergunta que nasce dos números.

Quanto maior o tempo de um grupo no centro das decisões, maior deve ser a cobrança pelos resultados.

O TEMPO TAMBÉM CONTA

Na política se fala muito em obras, festas, eleições e apoios. Mas existe outra conta: a conta do tempo.

Tempo de poder. Tempo de planejamento. Tempo de acesso a recursos. Tempo para identificar problemas e transformar uma realidade.

Depois de tantos anos de influência, a discussão não pode ser apenas sobre quem venceu a eleição. Precisa ser sobre legado.

Que cidade esse longo período de poder ajudou a construir?

PODER CONCENTRADO EXIGE MAIS

É legítimo discutir a estrutura política que se consolidou em Assunção, inclusive a presença de pessoas ligadas ao mesmo núcleo político e familiar na vida pública.

Isso, por si só, não significa irregularidade. Mas levanta uma questão importante: há espaço suficiente para novas lideranças, empreendedores e ideias?

Uma cidade precisa abrir oportunidades para quem quer trabalhar, empreender, prestar serviços e participar da vida pública, mesmo quando pensa diferente do grupo que está no poder.

O desenvolvimento não pode depender de alinhamento político.

AS CRIANÇAS AVANÇARAM. E OS ADULTOS?

Assunção registra alto índice de escolarização entre crianças e adolescentes. É um avanço positivo, embora acompanhe um processo nacional de ampliação do acesso à educação básica.

Mas é preciso olhar também para quem ficou para trás.

Os dados históricos sobre alfabetização mostram um contingente preocupante de adultos que não tiveram acesso adequado à educação. E isso limita oportunidades de trabalho, renda e participação social.

Não é correto dizer que a baixa escolaridade explica escolhas eleitorais. Mas uma população mais educada e informada tem mais condições de participar, fiscalizar e cobrar.

Educação também é independência.

Por isso, Assunção precisa tratar a educação de jovens e adultos com a mesma seriedade dada às novas gerações.

A ECONOMIA É A GRANDE PERGUNTA

De onde virá a riqueza própria de Assunção?

O município possui uma economia de pequeno porte e forte dependência da circulação de recursos públicos e transferências governamentais. Isso acontece em muitas cidades brasileiras.

Mas, depois de tantos anos de continuidade política, é justo perguntar: o que foi feito para criar alternativas?

Não basta administrar o dinheiro que chega.

Era de se esperar uma estratégia para identificar as vocações econômicas da cidade e criar desenvolvimento próprio.

Há potencial mineral? Agricultura e pecuária que podem gerar mais valor? Espaço para indústria, beneficiamento, comércio ou serviços?

Essas perguntas precisam entrar no planejamento.

É preciso estimular empresas, preparar os jovens, facilitar o empreendedorismo, criar trabalho e não se assustar com a possibilidade de eles se transformarem em concorrentes.

Assunção precisa de um plano de cidade, não apenas de um plano de poder.

DESENVOLVIMENTO HUMANO: HÁ MUITO A CRESCER

Assunção está na faixa de desenvolvimento humano médio. É um avanço, mas não é motivo para acomodação.

Uma cidade pequena pode ter educação de qualidade, criar oportunidades e desenvolver sua própria economia.

Tamanho não pode ser desculpa permanente para falta de ambição.

A PERGUNTA NÃO É QUEM MANDA. É O QUE MUDOU.

Força eleitoral não é a mesma coisa que desenvolvimento.

Uma cidade pode ter estabilidade política e continuar com dificuldades econômicas e sociais. Por isso, a cobrança precisa ser feita com dados, respeito e sem ataques pessoais.

E aqui surge outra pergunta: onde está a oposição de Assunção?

Uma oposição atuante, preparada e séria precisa estudar os números, fiscalizar a gestão, acompanhar os recursos públicos e apresentar propostas.

Assunção precisa de disputa de ideias e projetos, não apenas de grupos disputando poder.

Novas ideias. Novas lideranças. Mais fiscalização. Mais alternativas.

O FUTURO EXIGE MAIS

Seria injusto dizer que nada foi feito. Mas também seria irresponsável fingir que décadas de continuidade política não podem ser questionadas.

Podem e devem.

Quanto mais tempo, experiência e poder acumulados, maior é a responsabilidade pelos resultados.

Quando ainda existem desafios na educação de adultos, na renda, nas oportunidades e no desenvolvimento econômico, a crítica é legítima.

Crítica não é perseguição. Crítica não é ofensa. Crítica não é oposição automática. Crítica é cobrança.

E essa cobrança deve alcançar quem está no poder, mas também a oposição, as lideranças e toda a sociedade.

Assunção precisa discutir mais do que eleições. Precisa discutir o seu futuro.

Que riquezas possui? O que ainda falta descobrir? Que empresas podem nascer ou ser atraídas? Que empregos serão criados? Que oportunidades serão oferecidas aos jovens?

Não basta perguntar quem será o próximo prefeito, que geralmente vem da mesma família ou grupo de amigos históricos.

É preciso perguntar:

Qual Assunção será entregue à próxima geração?

O maior patrimônio de uma liderança política não deveria ser apenas a quantidade de eleições vencidas, mas a transformação deixada na vida das pessoas.

Depois de tanto tempo de continuidade política, Assunção tem o direito de exigir mais: mais planejamento, mais educação, mais oportunidades, mais empreendedorismo e mais desenvolvimento.

Porque uma cidade não pode viver eternamente apenas administrando o presente. Ela precisa construir o futuro.

CARIRI DE VERDADE

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