“Ninguém solta a mão de ninguém.” A frase, tão repetida no início das campanhas eleitorais para simbolizar união, confiança e a certeza de que todos estão no mesmo barco, parece não ter resistido ao tempo em São João do Cariri. O empresário Shigeaki Maracajá Ramos confirmou o rompimento político com o prefeito Chico de Eulina (União Brasil), colocando fim a uma aliança que ajudou a formar a chapa vitoriosa nas eleições municipais de 2024.
A confirmação foi dada ao portal Heleno Lima, após informações de bastidores apontarem para um distanciamento entre o empresário e o atual gestor da Cidade da Fé. Segundo a publicação, Shigeaki já estaria manifestando publicamente, em diferentes ocasiões, que não existe mais aliança política entre os dois.
Apesar da confirmação, o empresário preferiu não entrar em detalhes sobre as razões que levaram ao rompimento. Questionado pelo portal, foi direto: “procede sim”.
E é justamente nesse ponto que começa a principal incógnita do novo cenário político de São João do Cariri. Ao confirmar o rompimento sem apresentar, pelo menos publicamente, os motivos que levaram à decisão, Shigeaki deixa em aberto a principal informação que naturalmente se espera de uma ruptura política dessa dimensão: o que, de fato, provocou o fim da aliança?
Shigeaki foi pré-candidato a prefeito em 2024, mas retirou seu nome da disputa e decidiu indicar sua mãe, Estela Maracajá, para compor a chapa com Chico de Eulina. A odontóloga, bastante conhecida no município e reconhecida pelos serviços prestados à comunidade, acabou sendo eleita vice-prefeita. Registros da época mostram que a aproximação entre a família Maracajá e o grupo político que então comandava a Prefeitura foi construída a partir de articulações envolvendo Shigeaki, Estela, Chico e o então prefeito Helder Trajano.
Agora, pouco mais de um ano e meio depois da eleição, a aliança está oficialmente rompida, mas os motivos ainda não foram expostos publicamente.
Em uma ruptura que envolve grupos que estiveram juntos na construção de uma chapa vencedora e que chegaram ao poder com compromissos políticos assumidos durante a formação da aliança, a ausência de uma explicação mais detalhada acaba abrindo espaço para interpretações, especulações e diferentes versões nos bastidores. E talvez aí esteja o principal ruído desta história: mais do que a confirmação do rompimento, a população naturalmente espera conhecer a motivação que levou a ele.
O que provocou o rompimento?
Nos bastidores, uma das possibilidades levantadas é justamente a existência de divergências quanto aos rumos políticos para as eleições de 2026. O prefeito Chico de Eulina já tornou públicos alguns de seus alinhamentos políticos. Em abril deste ano, por exemplo, declarou apoio à pré-candidatura de João Azevêdo ao Senado. Também há registro anterior de apoio a Tovar Correia Lima e Romero Rodrigues, enquanto levantamento mais recente sobre as articulações para o Governo da Paraíba aponta Chico entre os prefeitos que apoiam Efraim Filho.
Quanto a Shigeaki, entretanto, não há, até o momento, manifestação pública recente e confirmada que permita afirmar quais candidatos ele pretende apoiar em 2026. A ausência dessa informação alimenta uma das principais perguntas que passam a circular no meio político local: o rompimento teria relação com escolhas eleitorais diferentes para o próximo pleito?
Essa hipótese, contudo, ainda precisa ser confirmada pelo próprio empresário.
Outra possibilidade está relacionada à própria condução política da administração municipal e à relação entre os grupos que ajudaram a construir a vitória de Chico de Eulina em 2024. Informações de bastidores apontam para insatisfação com compromissos políticos que, segundo o empresário, não teriam sido cumpridos.
Também não se pode descartar, nesse contexto, um eventual problema de comunicação e de articulação na condução estratégica da aliança. Em política, acordos não dependem apenas do cumprimento de compromissos, mas também de diálogo permanente, alinhamento de expectativas e clareza sobre os próximos passos. Quando essa comunicação falha, mesmo uma aliança construída para vencer uma eleição pode começar a apresentar fissuras.
A questão do diálogo político também pode ganhar peso nesse cenário. A atual movimentação lembra, em alguma medida, críticas que já apareceram durante a gestão anterior, de Helder Trajano, quando setores políticos apontavam dificuldades de articulação e diálogo dentro do grupo governista. Curiosamente, Chico de Eulina chegou ao comando da Prefeitura como sucessor político de Helder e com a missão de manter unificada a base que havia governado o município.
Isso não significa, necessariamente, que o atual governo esteja repetindo os mesmos problemas, nem que a gestão municipal seja mal avaliada. Pelo contrário: a administração de Chico tem apresentado ações e investimentos importantes para o município, inclusive com obras estruturantes e articulações junto aos governos estadual e federal. O próprio município registra avanços em áreas como infraestrutura e cultura.
O ponto, portanto, parece ser outro: uma gestão pode apresentar resultados administrativos e, ao mesmo tempo, enfrentar dificuldades na articulação política e na manutenção de alianças.
Por enquanto, o fato concreto é que Shigeaki confirmou o rompimento, mas decidiu não revelar as razões.
E é exatamente essa parte da história que a população de São João do Cariri agora espera conhecer.
Não se trata de exigir uma justificativa ou de antecipar uma versão para o rompimento, mas de reconhecer que, diante da importância política da aliança construída em 2024, é natural que o eleitor queira entender o que mudou. Afinal, se houve uma ruptura, houve também, necessariamente, algum ponto de divergência entre os antigos aliados, seja político, administrativo, eleitoral, estratégico ou relacionado à própria comunicação entre os grupos.
O que teria provocado a ruptura? Divergências sobre os compromissos assumidos em 2024? Falta de diálogo? Espaço político? Ou diferenças quanto aos caminhos que cada grupo pretende seguir nas eleições de 2026?
Até aqui, Shigeaki prefere o silêncio.
A resposta poderá ajudar a definir não apenas os rumos da relação entre o empresário e o prefeito, mas também a nova configuração das forças políticas de São João do Cariri para o processo eleitoral que se aproxima.
CARIRI DE VERDADE COM HELENO LIMA









