As imagens que mostram um policial militar agredindo um homem durante os festejos do Maior São João do Mundo, no Parque do Povo, em Campina Grande, seguem repercutindo nas redes sociais e alimentando o debate sobre os limites da atuação policial e o uso proporcional da força. Diante do episódio, a Polícia Militar da Paraíba instaurou um procedimento para apurar o caso e afastou o agente das atividades operacionais.
Em áudio divulgado após a repercussão, o policial apresentou sua versão. Segundo ele, tudo começou após uma briga generalizada nas proximidades do palco principal. O militar afirma que o homem abordado estava embriagado, teria agredido outras pessoas, inclusive mulheres, e que sua missão era identificar e retirar os envolvidos da confusão.
“Com relação à minha função e ao meu trabalho, não tenho nenhum peso. Isso era o que devia ser feito”, declarou. Em outro momento, afirmou que “não tem nada a ser justificado” e atribuiu a repercussão do caso ao que chamou de “mídia suja e podre”. No áudio, o policial também fez referência, em tom de deboche, à maneira como os jovens estariam dançando, descrevendo os movimentos como “essas danças sebosas como eles dançam”. Ao final, pediu apoio e orações para que, segundo suas palavras, “essa tempestade passe logo”.
Entretanto, a maior repercussão midiática do episódio ocorreu justamente nas redes sociais, onde as imagens registradas por populares se espalharam e provocaram intenso debate público.
Apesar da versão do militar, especialistas em segurança pública ressaltam que, mesmo diante da suspeita de participação em uma briga, a atuação policial deve obedecer aos princípios da legalidade, necessidade e proporcionalidade, utilizando técnicas de contenção compatíveis com cada situação.
A defesa do policial informou que acompanha as investigações e destacou que o militar possui 11 anos de serviço na corporação, sem registros de punições disciplinares. Os advogados defenderam que o caso seja analisado de forma técnica e imparcial.
Enquanto isso, o episódio permanece marcado por duas narrativas: a do policial, que afirma ter agido no cumprimento do dever, e a das imagens e versões apresentadas pelo agredido que aparece nas imagens, que suscitaram questionamentos sobre se aquela era a forma mais adequada de imobilizar alguém.
O caso também reacendeu o debate sobre o uso de câmeras corporais nos uniformes das forças de segurança. Na Paraíba, policiais empregados nos festejos juninos já utilizam os equipamentos, mas a medida é temporária. Episódios como o ocorrido no Parque do Povo reforçam a discussão sobre a possibilidade de tornar as bodycams uma política permanente, ampliando a transparência e a segurança jurídica tanto para a população quanto para os próprios agentes públicos.
CARIRI DE VERDADE









